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Desinformação atinge mais de 7,7 milhões de visualizações

Desinformação nas presidenciais soma 7,7 milhões de visualizações; Ventura concentra 85,7% dos casos, sobretudo em vídeos na plataforma X

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Desinformação atinge mais de 7,7 milhões de visualizações
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  • Em quatro semanas de pré-campanha e eleição, a desinformação associada às presidenciais soma 7.712.000 visualizações nas redes sociais, com André Ventura a responder por 85,7% dos casos.
  • Ao todo, foram registadas 324.555 reacções, 51.922 comentários e 24.543 partilhas, segundo o LabCom da Universidade da Beira Interior.
  • O vídeo é o formato predominante (71,4% dos casos), seguido de fotografias (28,6%), com descredibilização de meios de comunicação e jornalistas (42,9%) a ocupar o maior tipo de desinformação.
  • A plataforma X concentrou 92,9% dos casos, TikTok 21% e Threads 28,6%, com Ventura a liderar 14 casos identificados.
  • Um caso de maior impacto envolveu um vídeo partilhado pelo líder do Chega a 1 de janeiro, com mais de 1 milhão de visualizações no Instagram, ligando um incêndio em Amesterdão à “islamização da Europa” (falso enquadramento).

A desinformação relacionada com as presidenciais soma mais de 7,7 milhões de visualizações nas redes sociais desde novembro de 2025. O estudo do LabCom, do ODEPOL, aponta que André Ventura concentra 85,7% dos casos. A investigação é da Universidade da Beira Interior.

O monitoramento acompanha a presença digital de pré-candidatos em Facebook, Instagram, X, TikTok, Threads e YouTube. Começou em 17 de novembro de 2025, dia do primeiro frente a frente televisivo entre Ventura e António José Seguro.

No total, os investigadores contabilizam 7.712.000 visualizações, 324.555 reacções, 51.922 comentários e 24.543 partilhas. João Canavilhas e Branco Di Fátima destacam o elevado envolvimento dos utilizadores com conteúdos desinformativos.

Casos e formatos

Durante quatro semanas de pré-campanha e campanha, foram identificados 14 casos de desinformação. Ventura é responsável por 85,7% dos casos, com outros envolvendo pré-candidatos não aceites pelo TC, como Joana Amaral Dias.

O vídeo é o formato dominante, presente em 71,4% dos casos; fotografias representam 28,6%. Entre os tipos, destacam-se descredibilização de media/jornalistas (42,9%), conteúdo manipulado (28,6%) e uso de contexto falso (7,1%).

A plataforma X concentra 92,9% dos casos, seguida por TikTok (21%) e Threads (28,6%). Um vídeo partilhado por Ventura no 1 de janeiro obteve mais de um milhão de visualizações, com destaque para o Instagram.

O vídeo associado a OK Diário mostrou um incêndio na Igreja de Vondelkerk, em Amesterdão, atribuído à “islamização da Europa”. Os investigadores apontam que o conteúdo foi manipulado para criar ligação com a comunidade muçulmana.

O material gerou 1.028.534 visualizações, 40.250 comentários, 6.197 reacções, 3.487 partilhas e alcance estimado de 436.167 contas. O relatório analisa a moldura ideológica como fator de amplificação.

Os investigadores sublinham a necessidade de monitorização contínua ao longo de todo o processo eleitoral. O OK Diário não tinha ligação com comunidades muçulmanas, situação corrigida após críticas.

As eleições presidenciais, com um número recorde de candidatos, estão marcadas para domingo.

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