- A Iran Human Rights (IHRNGO) informou pelo menos 648 mortos em 14 províncias desde 28 de dezembro, na nova vaga de protestos no Irão.
- Entre as vítimas estão nove menores; milhares ficaram feridos e o número de detidos pode ultrapassar os dez mil; algumas estimativas não verificadas apontam mais de seis mil mortos.
- A organização destaca dificuldades de verificação devido ao bloqueio da Internet desde 8 de janeiro.
- As autoridades descreveram os manifestantes como arruaceiros, mohareb (inimigos de Deus) e terroristas, anunciando julgamentos severos em tribunais revolucionários.
- A economia iraniana enfrenta inflação superior a 42 por cento, o rial caiu 69 por cento face ao dólar no último ano, com protestos já em mais de cem cidades.
Pelo menos 648 manifestantes morreram em 14 províncias do Irão desde 28 de dezembro, data de início da nova vaga de protestos contra as autoridades de Teerão, aponta a organização Iran Human Rights (IHRNGO). O recorte baseia-se em casos verificados diretamente ou por duas fontes independentes.
Entre as vítimas estão nove menores. A IHRNGO refere ainda milhares de feridos e mais de dez mil detidos, com estimativas não verificadas a sugerirem números de mortos muito maiores.
A ONG indica que, desde 8 de janeiro, o país bloqueou a Internet e restringiu fortemente o acesso à informação, o que dificulta a verificação independente dos relatos. Os dados incluem também relatórios de hospitais e locais de recolha de corpos.
Número de vítimas e detidos
As autoridades iranianas descreveram os manifestantes de várias formas, incluindo arruaceiros e inimigos de Deus, com promessas de julgamentos rápidos em tribunais revolucionários. A IHRNGO opondo-se a medidas extremas e a execuções.
O documento salienta que as forças estatais teriam usado armas de fogo contra manifestantes, incluindo disparos na cabeça e na região torácica. A organização alerta para o risco de execuções extrajudiciais.
Milhares de iranianos participaram nos protestos, motivados pelo colapso do rial e pela inflação elevada. As agências oficiais reportam agitação económica, económica. O país enfrenta inflação anual superior a 42%.
Contexto económico e político
O rial perdeu cerca de 69% do valor frente ao dólar no último ano, com sanções internacionais a afetar a economia. O Governo justifica medidas duras como forma de manter a ordem e responder a distúrbios.
O líder supremo, Ali Khamenei, ameaçou tomar medidas contra atos de vandalismo e o que chamou de mercenários ao serviço de estrangeiros. Os manifestantes são vistos pela autoridade como parte de tentativas externas de destabilização.
Reação internacional
Nos últimos dias, houve apelos para uma resposta internacional urgente face aos relatos de violação de direitos humanos. Questões de disseminação de informação e acesso a plataformas de comunicação permanecem centrais no debate global.
As autoridades iranianas mantêm o controlo sobre o controlo de informação, enquanto procuradores e tribunais especiais reforçam ações contra alegados agitadores. A situação persiste em várias cidades além de Teerão.
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