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A mentalidade de Cristiano e a responsabilidade de governar

A comparação com Cristiano Ronaldo expõe fragilidades estruturais: sem políticas que valorizem talento, Portugal perde quadros qualificados no estrangeiro

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  • O Primeiro-Ministro pediu aos portugueses que adotem a “mentalidade de Cristiano Ronaldo” numa mensagem de Natal.
  • O texto reconhece Ronaldo como símbolo global de ambição, disciplina, exigência e superação, mas questiona o alcance dado a esse exemplo.
  • Defende que Portugal também é feito de cientistas, engenheiros, investigadores, artistas, professores, médicos e empreendedores que atuam fora dos holofotes.
  • Aponta que muitos talentosos portugueses trabalham no estrangeiro devido a falta de condições, escala e oportunidades no país.
  • Conclui que o problema está na política: falta uma cultura que premie resultados e que incentive uma visão de longo prazo, permitindo que mais “Cristianos Ronaldos” se façam no país.

O Primeiro-Ministro pediu aos portugueses que adotem a chamada mentalidade de Cristiano Ronaldo na mensagem de Natal. A ideia é associar ambição, disciplina e superação a um exemplo global, segundo a leitura do governo. O objetivo é incentivar disciplina e exigência pessoal como motor de progresso individual e coletivo.

A análise crítica aponta que o país precisa reconhecer que o mérito não se esgota no desporto. Há cientistas, engenheiros, investigadores, artistas, professores e médicos cuja excelência não está sob os holofotes. Esses profissionais atuam em universidades, laboratórios, empresas e centros culturais, muitas vezes com impactos reais, porém fora da transmissão televisiva.

O texto original sustenta que o sucesso de Ronaldo só foi possível com saída de Portugal. Muitas pessoas qualificadas hoje vivem no estrangeiro por falta de condições, de escala ou de oportunidades compatíveis com o talento. A observação coloca em evidência um desafio estrutural da economia e da governança nacional.

A partir daqui, o discurso político é visto como fragilizado, ao privilegiar a mentalidade vencedora sem enfrentar bloqueios que dificultam o avanço. O retrato é de uma economia de baixo valor acrescentado, um Estado centralizado, dependência de subsídios e salários médios baixos, com uma fatia significativa da população em situação de pobreza.

Desafios estruturais e políticas públicas

É defendido que faltam gestões políticas com visão de longo prazo, capazes de premiar resultados, valorizar competência e assumir riscos. A ideia é que a mentalidade de Cristiano Ronaldo depende, também, de políticas públicas eficazes, instituições fortes, liderança e uma visão para o país.

Caminhos para mais excelência

Reforça-se que o país precisa de condições para que os seus melhores talentos permaneçam e prosperem, sem necessidade de abandonar o território. A mensagem sugere que o reconhecimento do mérito pode orientar uma mudança na gestão pública e na promoção de oportunidades em áreas estratégicas.

O texto termina deixando claro que a posição apresentada é do autor e não necessariamente da APESP.

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