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Algoritmos alteram o espaço político; lei eleitoral pouco aborda redes

Especialistas dizem que algoritmos das redes sociais alteram o espaço político e podem influenciar campanhas, enquanto a lei eleitoral pouco regula o digital

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Redes sociais têm-se sentido de forma "muito significativa" na campanha para as eleições presidenciais
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  • A lei eleitoral em vigor tem poucas referências ao uso das redes sociais e à evolução dos algoritmos, que estão a alterar o espaço político em Portugal.
  • Especialistas dizem que os algoritmos nas redes sociais amplificam populismo, radicalizam discursos e tornam conteúdos mais virais quando são polarizados.
  • O chat entre plataformas favorece mensagens curtas, emocionais e diretas, reduzindo discussões aprofundadas e limitando o alcance a públicos específicos.
  • Partidos emergentes e mais afastados do centro parecem beneficiar-se mais deste ecossistema digital; jovens tendem a seguir conteúdos mais virais em plataformas como o TikTok.
  • Embora haja evidência de influência dos algoritmos nas campanhas, os especialistas consideram que o efeito sobre os votos é ainda incerto e não comprovado de forma decisiva.

A lei eleitoral em vigor tem poucas referências à utilização das redes sociais e à evolução dos algoritmos. Estes estão a mudar o espaço político ao amplificar populismos e radicalizar discursos, segundo especialistas ouvidos pela Lusa.

Analistas sublinham que o algoritmo se transforma num espaço institucional com capacidade de influenciar mensagens, perfis políticos e a forma como são comunicados. O fenómeno é visto como cada vez mais relevante nas campanhas eleitorais.

Na leitura de especialistas, a evolução digital favorece mensagens curtas, diretas e emocionalmente carregadas, potenciando a rutura entre nós e eles. O impacto é maior em plataformas que permitem comunicação rápida e frequente.

Efeitos no espaço público

Os algoritmos das redes estão a alterar a política, elevando a viralidade de conteúdos polarizados. Volta-se a notar que estas plataformas premiam formatos que geram mais envolvimento, com maior exposição de discursos agressivos.

A perspetiva de que a lei de 2015 não acompanha a comunicação digital é partilhada por vários investigadores. Questiona-se por que não regulamentar também a publicidade digital no período eleitoral.

Perfis e estratégias dos intervenientes

Os especialistas destacam que a comunicação política se adapta aos algoritmos. Partidos com menor aproximação clássica à imprensa tendem a beneficiar de uma presença digital mais dinâmica.

Estudiosos sugerem que os novos partidos mostram maior maleabilidade na web. O Chega, a Iniciativa Liberal, o PAN e o Livre surgem como exemplo de estratégias adaptadas às redes.

Sobre o impacto no voto

Há consenso de que os estudos apontam mudanças na forma de comunicação, com efeitos eleitorais modestos. Não há provas sólidas de que algoritmos decidam o voto, mas não se pode excluir esse cenário.

Alguns investigadores defendem que o ambiente online pode influenciar temas, clima político e prioridade de conteúdos. A perceção pública pode assim moldar a posição dos eleitores em determinados temas.

A audiência por faixa etária

Entre os mais jovens, os conteúdos em TikTok ganham peso, com candidatos apoiados pela Iniciativa Liberal e pelo Chega a aparecerem com maior presença entre 18 e 34 anos. Em geral, o fenômeno é mais relevante fora da televisão tradicional.

Para faixas etárias mais velhas, a influência dos formatos curtos é menos marcada, mas o uso de redes continua presente como complemento às estratégias tradicionais de campanha.

Considerações finais

Especialistas lembram que a maior parte dos partidos já utiliza redes sociais em paralelo com abordagens tradicionais. Algoritmos podem orientar temas e promover debates polarizados, afetando o ambiente eleitoral.

Conclui-se que o impacto das redes sociais é relevante para o discurso político, ainda que os efeitos decisivos no resultado eleitoral permaneçam incertos. A regulação contínua é considerada necessária pelos analistas.

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