- Ventura deixou à consciência de Luís Montenegro, líder do PSD, a decisão de apoiar ou não a sua candidatura numa segunda volta contra António José Seguro, dizendo que será uma escolha entre alguém do seu partido ou um socialista que já combateram.
- Observou que, se o PSD apoiar Seguro na segunda volta, estará a indicar aos eleitores uma preferência por um socialista para a presidência, o que contraria o trabalho feito no Parlamento com o Chega.
- Afirmou não estar garantido chegar à segunda volta e admitiu que, se não passar, isso seria negativo; afirmou que a questão é a consciência política dos eleitores, não a estabilidade.
- Criticou a gestão do setor da saúde pelo Governo e disse que, se eleito, o Presidente terá de dizer ao Primeiro-Ministro que o Governo tem de entrar na ordem.
- Disse que, se for eleito, dedicará o primeiro Conselho de Estado ao combate à corrupção, negando ter uma lista acordada com o PSD para esse órgão; sublinhou que quer ser o Presidente da coesão.
O candidato presidencial André Ventura, líder do Chega, deixou em aberto a possibilidade de receber o apoio do PSD numa segunda volta contra António José Seguro. A afirmação foi feita este sábado, em Portalegre, durante uma ação de campanha, onde Ventura apelou à “consciência” de Luís Montenegro para decidir o apoio ou a recusa.
Ventura disse que não quer socialistas no país e que a decisão depende da posição do presidente do PSD. Refere ter trabalhado com Montenegro em diplomas fundamentais para o país, sugerindo que a escolha envolve evitar um Governo liderado pelo PS. Tudo depende da segunda volta.
O Chega tem mantido uma relação de cooperação com o Governo em várias áreas parlamentares, incluindo leis de nacionalidade, impostos e habitação. O candidato a Belém argumentou que apoiar o candidato socialista seria sinal de preferência por uma liderança socialista, em oposição ao trabalho realizado no Parlamento.
Ventura sublinhou que a sua resposta se limita ao cenário apresentado e não admite garantir a passagem à segunda volta. Caso não alcance essa fase, reconheceu que o desfecho seria negativo, sem, contudo, comentar cenários alternativos.
Sobre a estabilidade política, o candidato afirmou que a questão não é essa, mas sim a consciência política dos eleitores. Questionou onde votariam os partidos de centro-direita num duelo entre um candidato de direita/centro-direita e um candidato de esquerda/centro-esquerda.
Reação do PSD
Ao mencionar o apoio potencial do PSD, Ventura acusou o Governo de necessidade de alinhamento com o Chega para aprovar diplomas, e questionou o comportamento do partido caso haja uma segunda volta com Seguro. Em Portalegre, recordou que o Governo aprovou várias matérias com o apoio do Chega no Parlamento.
Ventura também comentou a gestão da saúde, defendendo que é preciso um Presidente que imponha ao Governo a necessidade de entrar na ordem. Sobre o registo de votos e possíveis recontagens, recusou fazer acusações ao processo eleitoral e disse não arranjar desculpas para o seu resultado.
Comentou ainda a declaração do ex-líder do PSD, Pedro Santana Lopes, sobre a possível entrega da Presidência a Seguro, respondendo que, em seu entender, poderia ser ainda mais adequada a entrega a ele próprio. No entanto, manteve o foco no combate à corrupção, afirmando que, se eleito, dedicará o primeiro Conselho de Estado a este tema.
Ventura criticou o PS por, segundo ele, se preocupar apenas com lugares, sugerindo prioridades diferentes para as listas de órgãos de quase governo. Por fim, o candidato afirmou que, em Portalegre, onde já tinha vencido as legislativas de 2025, se declara capaz de ser o presidente da coesão e de estabelecer uma presidência mais estável.
Entre na conversa da comunidade