- A UE considera as declarações dos EUA sobre a Gronelândia preocupantes e discute se há uma ameaça real e qual deveria ser a resposta dos 27 Estados-membros.
- A alta representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas, afirmou que as mensagens de Trump não ajudam a estabilidade global e reiterou a defesa do Direito Internacional.
- O Governo dos EUA não exclui cenários além da diplomacia, incluindo uma possível ação militar, e vai reunir-se com Dinamarca para discutir a Gronelândia.
- Líderes de França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca destacaram que o futuro da Gronelândia deve ser decidido pelos seus cidadãos e reforçaram a segurança do Ártico pela NATO.
- A Gronelândia tem cerca de 57 mil habitantes, território de 2,1 milhões de quilómetros quadrados, depende da pesca e da ajuda da Dinamarca, que cobre cerca de metade do orçamento.
A União Europeia reafirmou a sua posição de aliado dos Estados Unidos, perante declarações do Presidente norte-americano sobre a possível anexação da Gronelândia. A defesa desta linha foi apresentada pela Alta-Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas, numa conferência de imprensa na Nova Capital Administrativa do Egito, acompanhada pelo ministro egípcio dos Negócios Estrangeiros.
A autoridade europeia revelou que Bruxelas tem discutido, nos últimos dias, se há uma ameaça real nesse sentido e qual deveria ser a resposta dos 27. Observou que as mensagens recebidas a partir de Washington são preocupantes e que a UE tem mantido debates internos sobre o tema. Também sublinhou que o direito internacional é o alicerce da proteção de países menores e que desrespeitá-lo implica riscos.
O Governo norte-americano tem mantido a posição de que a diplomacia é a primeira opção, mas não exclui cenários envolvendo uso da força. Anunciou uma reunião com representantes dinamarqueses para discutir a situação da Gronelândia, território autónomo da Dinamarca. O Executivo dinamarquês qualificou o encontro como um avanço para o diálogo.
Perspectiva europeia
Líderes de França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca emitiram uma declaração conjunta, afirmando que o futuro da Gronelândia e da Dinamarca deve ser decidido pelos seus cidadãos e que a segurança do Ártico é uma responsabilidade partilhada pela NATO. Ressalvaram o reforço da presença, atividades e investimentos europeus para manter a região estável.
Ministros dos Negócios Estrangeiros de França, Alemanha e Polónia reiteraram o apoio à Dinamarca e à Gronelândia, destacando a importância de cooperação entre aliados. O Alto-Comissário para a Política Externa reforçou que a defesa da integridade territorial é um princípio fundamental do direito internacional. O tema permanece acompanhado por vários Estados-membros, no âmbito da cooperação transatlântica.
A Gronelândia tem cerca de 57 mil habitantes, em um território de 2,1 milhões de km², com 80% cobertos por gelo. A economia da ilha depende sobretudo da pesca e da ajuda anual da Dinamarca, que cobre aproximadamente metade do orçamento. As informações destacam a relevância regional para a segurança do Ártico.
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