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Entrada dos EUA na Venezuela coloca negócios de Pequim em risco

A entrada dos EUA na Venezuela pode pôr em risco o investimento chinês, superior a 10 mil milhões de dólares, e complicar o reembolso de dívida.

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Nicolás Maduro com Qiu Xiaoqi no Palácio de Miraflores, em Caracas, horas antes de ter sido capturado pelas forças especiais norte-americanas
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  • Após a intervenção dos EUA na Venezuela, o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, afirmou que a China “não aceitará que nenhum país se assuma como juiz do mundo”.
  • A China, grande investidor da indústria petrolífera venezuelana, criticou a operação militar que resultou na detenção do presidente Nicolás Maduro, mantendo um histórico de financiamento em troca de crude desde os anos dois mil.
  • Caracas deve mais de 10 mil milhões de dólares à China, e os EUA procuram impedir petroleiros sancionados de sair ou entrar enquanto a indústria permanece sob controle estatal, expandindo assim a vantagem norte-americana.
  • Desde as sanções de 2017, a China reduziu investimentos, mas continua a receber petróleo para saldar dívidas, mantendo o objetivo de diversificar fontes de energia e reforçar a eletricidade.
  • Relações sino-venezuelanas vão além do petróleo, com relatos de parceria estratégica desde 1999; o tema insere-se numa discussão mais ampla sobre BRICS, o sistema do petrodólar e possíveis passos para uma moeda comum.

A entrada dos Estados Unidos na Venezuela e a detenção do Presidente Nicolás Maduro abalaram o cenário regional. O governo americano assegura que vai impedir a entrada de petroleiros sancionados até que Caracas abra o setor petrolífero ao investimento estrangeiro. A China reage mantendo divergências com a intervenção.

O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, afirmou que a China não aceitará que nenhum país se assuma como juiz do mundo. Pequim tem, porém, histórico de financiamento à venezuelana indústria petrolífera, em troca de contratos de fornecimento de crude.

A relação entre China e Venezuela decorreu desde o início dos anos 2000, quando Pequim prometeu mais de 100 mil milhões de dólares em financiamento. Esse apoio financiou infraestruturas como ferrovias e centrais energéticas, ajudando Caracas a enfrentar sanções.

Entre 2016 e 2023, investidas chinesas no setor petrolífero venezuelano somaram mais de 2,1 mil milhões de dólares, segundo estimativas do American Enterprise Institute. Hoje, Caracas deve mais de 10 mil milhões de dólares à China.

Relações China-Venezuela

A China continua dependente de petróleo, mas tem procurado diversificar a matriz energética para a electricidade. Erica Downs, da Universidade de Colúmbia, aponta que a China já considerou a segurança energética ao internacionalizar empresas petrolíferas.

No âmbito político-económico, a Financial Times descreve uma parceria estratégica entre China e Venezuela desde 2023. Maduro encontrou-se com o diplomata chinês Qiu Xiaoqi, horas antes de ser detido pelas forças norte‑americanas, acompanhando sinal de cooperação.

BRICS, dólar e novas dinâmicas

Analistas destacam que o sistema do petrodólar sustenta a hegemonia financeira dos EUA, com o dólar amplamente utilizado em transacções de petróleo. O BRICS tem promovido alternativas, como o eventual UNIT, para reduzir a dependência do dólar.

A crise venezuelana intensifica a pressão sobre o dólar e incentiva a cooperação entre BRICS e outros países para repensar o sistema monetário global. A China, o Brasil e outros membros discutem caminhos para diversificar pagamentos internacionais.

A Venezuela tem, segundo estimativas, reservas de petróleo significativas, com potenciais receitas em jogo se houver maior produção. A longo prazo, a evolução da crise pode influenciar as decisões de investimento estrangeiro na região.

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