- O telescópio espacial Euclid identificou 31 quasares, incluindo os dois mais antigos conhecidos até hoje.
- A sua luz é de uma época em que o Universo tinha cerca de 670 milhões de anos, indo 20 milhões de anos antes do quasar mais antigo já registado.
- O estudo, publicado na revista Astronomia e Astrofísica, indica que o Euclid já duplicou o número de quasares antigos em dois anos.
- Os quasares remontam à era da reionização e ajudam a compreender o gás entre galáxias e o processo de formação inicial do Universo.
- Cientistas pretendem usar dados de quasares ainda mais antigos e observar também objetos com o telescópio James Webb para construir uma crónica dos quasares nos primeiros mil milhões de anos.
O telescópio espacial Euclid, da ESA, detetou 31 quasares antigos, incluindo os dois mais antigos já conhecidos. O achado foi publicado esta segunda-feira na revista Astronomia e Astrofísica. Os quasares são núcleos galácticos alimentados por buracos negros supermassivos.
A luz destes objetos foi emitida quando o universo tinha cerca de 670 milhões de anos, e está 20 milhões de anos antes do quasar mais antigo já registado (descoberto em 2021 pela mesma equipa). A idade estimada do universo é de 13,8 mil milhões de anos.
Para Daming Yang, autor principal, o Euclid revolucionou a deteção de quasares antigos. Em apenas dois anos, o número conhecido duplicou, diz o pesquisador da Universidade de Leiden. O estudo cita o papel crucial da observação a distância.
Contexto científico
Os quasares identificados remontam à era da reionização, momento em que as primeiras galáxias se formaram. A equipa sinaliza que estes quasares ajudam a mapear o gás entre as galáxias e a Terra, contribuindo para reconstruir o processo de reionização.
Os autores destacam ainda o paradoxo: quanto mais potentes os telescópios, mais jovens e grandes surgem em fases muito precoces do cosmos. O enigma persiste sobre como surgiram tantos quasares massivos tão cedo.
O grupo pretende investigar quasares ainda mais antigos, com apenas 630 milhões de anos de idade do Universo. Prevê também estudar objectos descobertos pelo James Webb para aprofundar o conhecimento.
No futuro, os investigadores planeiam reunir várias observações para construir uma “crónica” dos quasares dos primeiros mil milhões de anos do cosmos.
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