- O cometa interestelar 3I/ATLAS formou-se há dez a doze mil milhões de anos, nos primórdios do Universo, e é provavelmente o objeto mais antigo já observado a atravessar o sistema solar.
- Foi detectado pela primeira vez em julho do ano passado pelo ALMA, no Chile, e atingiu a sua maior aproximação à Terra em dezembro.
- O cometa tem um diâmetro de cerca de 2,6 quilómetros e foi estudado com o telescópio espacial James Webb para analisar a sua composição química.
- A água do 3I/ATLAS contém 30 vezes mais deutério do que os cometas do sistema solar, sugerindo origem num sistema gelado há uma fase inicial da história da galáxia.
- As proporções de carbono indicam vestígios de carbono-13 relativamente baixos, apontando para uma origem antiga; o cometa terá vindo de uma nuvem fria e pouco metalizada, possivelmente mais irradiada por radiação ultravioleta.
O cometa interestelar 3I/ATLAS passou perto da Terra, numa passagem que ocorreu em dezembro, após a sua maior aproximação ao Sol. O objeto tem origem em um sistema planetário frio, formado há entre 10 e 12 mil milhões de anos, no início do Universo.
Detectado pela primeira vez em julho, pelo telescópio ALMA, o 3I/ATLAS é o terceiro cometa interestelar confirmado a atravessar o sistema solar. Mede cerca de 2,6 quilómetros de diâmetro e atravessa o nosso sistema vindo de fora dele.
A análise da sua composição foi realizada com o telescópio espacial James Webb, durante a passagem pela região solar. O gelo antigo aqueceu, gerando uma coma gasosa que facilitou a observação.
Origem antiga e características químicas
O estudo indica que a água do cometa contém cerca de 30 vezes mais deutério do que a água de cometas do sistema solar, sugerindo uma origem em regiões gélidas da galáxia. A formação ocorreu a temperaturas extremamente baixas, em torno de -243 °C.
As proporções de carbono mostram vestígios baixos de carbono-13, comparados com carbono-12, o que reforça a ideia de uma origem muito antiga. O complexo químico aponta para um sistema estelar diferente do nosso.
Interpretações dos investigadores
A equipa liderada por Martin Cordiner, da NASA, entende o 3I/ATLAS como um resíduo do processo de formação planetária de outra estrela. O sistema de origem aparenta ser menos rico em metais e mais exposto à radiação ultravioleta.
A deriva do cometa para fora do seu sistema teria resultado de interações gravitacionais com planetas. Ainda assim, não pode excluir-se a hipótese de uma colisão que tenha desviado o objeto na direção do nosso sistema.
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