- O número de países de onde jornalistas são forçados a abandonar o território duplicou nos últimos cinco anos, passando de 19 em 2021 para 40 em 2025, conforme a RSF.
- Entre 2021 e 2025, a RSF apoiou 1.468 jornalistas de mais de 60 países, incluindo 677 afegãos, 160 russos e 101 de Myanmar.
- Em 2025, a RSF acompanhou pelo menos 243 jornalistas em processos de exílio, com o Afeganistão a manter-se como epicentro do exílio.
- A Turquia surge tanto como rota de asilo para jornalistas de zonas de conflito quanto como país de exílio para jornalistas locais, e figura entre os países que empurram para o exílio.
- No Índice de Liberdade de Imprensa 2026, a Turquia caiu para o 163.º lugar entre 180 países, com queda na pontuação e críticas a restrições ao pluralismo mediático.
Nos últimos cinco anos, o número de países de onde jornalistas são obrigados a sair duplicou, segundo a RSF. A organização aponta 40 nações em 2025, frente a 19 em 2021, devido a crises políticas, violência e pressão criminal.
Entre 2021 e 2025, a RSF apoiou 1 468 profissionais oriundos de mais de 60 países. Entre os mais afetados estão afegãos (677), russos (160) e birmaneses (101). Em 65 países houve pelo menos um jornalista forçado ao exílio; em 20 deles, incluindo a Turquia, esse número superou dez casos.
No mapa divulgado pela RSF, marcadores vermelhos indicam países de onde partiram os jornalistas e verde, os locais de acolhimento. Linhas mostram as rotas, com a dimensão refletindo a concentração de casos. Em 2025, a RSF acompanhou pelo menos 243 jornalistas nesses processos.
A Turquia aparece tanto como país de acolhimento quanto como destino de exílio para profissionais locais que criticam o poder. Para quem foge de áreas como Afeganistão, Síria ou Palestina, a Turquia funciona como centro regional; para jornalistas turcos, também é destino de exílio.
O relatório aponta que, apesar de servir de refúgio, a Turquia continua a apresentar restrições à liberdade de imprensa. Entre 2021 e 2025, pelo menos dez jornalistas foram obrigados a abandonar o país, com estimativas de subnotificação. O Egito também recebe muitos exilados, incluindo sudaneses e palestinianos.
Afeganistão tornou‑se o epicentro mundial do exílio de jornalistas desde 2021, com 677 afegãos apoiados pela RSF a deixarem o país. Hoje, esses profissionais estão dispersos por 28 países, representando uma das maiores perdas para o jornalismo independente.
Outras regiões também registam deslocamentos significativos. No Sahel, rotas de exílio ligam Mali, Chade, Nigéria, Guiné e Burkina Faso ao Senegal; no leste da RDC, 21 jornalistas buscaram refúgio no Burundi e em Uganda. Na América Latina, a instabilidade e a pressão de cartéis aumentam o risco para repórteres.
O Índice Mundial de Liberdade de Imprensa 2026 coloca a Turquia no 163.º lugar entre 180 países, com queda de pontuação. A RSF descreve o cenário como marcado por autoritarismo crescente e erosão do pluralismo mediático.
A RSF alerta que o exílio não encerra as ameaças. A chefe do Gabinete de Assistência, Victoria Lavenue, cita obstáculos administrativos, isolamento e pressão transnacional como desafios persistentes para os jornalistas no estrangeiro.
A secção alemã da RSF destaca a atuação entre 2021 e 2025, com apoio a 479 jornalistas, incluindo 209 russos e 192 afegãos. Os dados fornecem uma visão adicional, não integrada no mapa de exílio, para refletir movimentos por ano de exílio.
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