- Ucrânia e Moldova iniciaram, em Luxemburgo, a primeira fase das negociações de adesão à União Europeia, pondo fim a dois anos de impasse provocado pelo veto húngaro à Ucrânia.
- A comissária europeia responsável pelo Alargamento, Marta Kos, afirma que estas negociações representam o maior passo desde que os países receberam o estatuto de candidatos, com a perspetiva de abrir as cinco fases restantes (clusters) já no próximo mês.
- O desfecho ocorreu após um acordo entre Kiev e Budapeste sobre liberdades da minoria húngara na Ucrânia, que desbloqueou o arranque das negociações — anteriormente travado pelo governo húngaro.
- A ministra dos Negócios Estrangeiros da Hungria alerta que o cumprimento do acordo é condição essencial para a integração da Ucrânia, lembrando que o caminho pode enfrentar vários obstáculos.
- O debate sobre acelerar a adesão persiste, incluindo a possibilidade de uma adesão em formato “light” ou gradual, com controvérsia entre Estados-M membros sobre integração no financiamento agrícola da UE (Política Agrícola Comum) e outros programas.
Numa espécie de Megamonday, Ucrânia e Moldova iniciaram, em Luxemburgo, a primeira fase das negociações de adesão à União Europeia. O arranque põe fim a dois anos de impasse ligado ao veto do governo húngaro à entrada de Kiev nas conversações. O objetivo é avançar para as cinco fases temáticas remanescentes.
A comissária europeia responsável pelo Alargamento, Marta Kos, descreveu o passo como o maior desde que os dois países receberam o estatuto de candidatos, em 2023. Kos disse estar confiante de que o impulso se manterá e que as negociações podem avançar já no próximo mês.
Kiev e Chisinau apresentaram os pedidos de adesão após a invasão russa da Ucrânia. Em 2024, os chefes de Estado e de governo da UE acordaram abrir as negociações com Kiev e com Moldova. O veto de Viktor Orbán atrasou, porém, o processo de ambos os países.
Desde então, um novo governo húngaro, liderado por Péter Magyar, chegou a um acordo com Kiev para salvaguardar liberdades da minoria húngara na Ucrânia. A mudança abriu caminho para o início da primeira fase das conversar.
Entretanto, a ministra dos Negócios Estrangeiros da Hungria, Anita Orbán, advertiu que o cumprimento do acordo é condição essencial no processo de integração da Ucrânia. A declaração evidencia que o caminho pode manter-se repleto de obstáculos.
A ideia de abrir, antes do verão, os cinco clusters de negociação restantes envolve a integração da Ucrânia e Moldova na Política Agricola Comum. Países como a Polónia e a França já manifestaram reservas quanto a esse ponto.
O processo, conhecido como front-loading, prevê acelerar reformas e preparar a adesão apesar do veto anterior. Zelenskyy tem apresentado a adesão como uma garantia de segurança para o país no pós-guerra.
A presidência cipriota do Conselho da UE afirmou que a adesão representa uma garantia de segurança e uma expansão do espaço europeu. O alargamento é visto como uma necessidade geopolítica em tempos de turbulência.
Kos reiterou que não pode haver meia adesão, mas sinalizou possibilidades de integração gradual. Entre propostas discutidas estão modelos de adesão rápida, com direitos de voto limitados, embora não haja consenso sobre esses formatos.
Entre na conversa da comunidade