- A cimeira do G7 realiza-se em Évian-les-Bains até quarta-feira, reunindo as sete maiores economias avançadas.
- Donald Trump atrasou a chegada a França após um combate de MMA no domingo; encontra-se com Emmanuel Macron numa reunião privada na segunda-feira, seguida de um jantar oficial.
- O Irão pode chegar a um acordo de paz ainda durante a cimeira, mediado pelo Paquistão, embora a desminagem da via marítima exija coordenação internacional e possa demorar.
- As relações entre os europeus e os EUA dominam as questões, com leituras de tarifas, ambiguidades sobre a NATO e o impacto económico do fecho de Ormuz.
- No campo da IA, participa pela primeira vez um trio de CEOs de grandes empresas: OpenAI, Google DeepMind e Anthropic; há um almoço de trabalho na quarta-feira dedicado à utilização segura e eficiente da IA. Zelenskyy participa na terça-feira numa sessão de trabalho, sem encontro bilateral com Trump.
A confluência de tensões geopolíticas, tarifas e IA coloca Évian-les-Bains no centro da agenda global. A 52.ª cimeira do G7 decorrerá até quarta-feira, reunindo os líderes das sete maiores economias desenvolvidas, na margem do lago Genebra. O encontro acontece num momento de instabilidade económica e diplomática mundial.
A presença de Donald Trump, aguardada para domingo, atrasou o arranque da cimeira em um dia. O motivo oficial é a participação num combate de MMA de aniversário, em Washington. Macron receberá o presidente norte-americano numa reunião privada numa segunda-feira marcada pelo lema de cooperação frente aos grandes desafios.
Após o encontro, Trump seguirá para Versalhes para jantar com Macron, em honra do 250.º aniversário da independência norte-americana. O Eliseu sublinha que o Palácio de Versalhes é um local simbólico de amizade entre França e EUA.
Irão: acordo pode avançar ou voltar a falhar
À medida que chegam a Évian, os líderes discutem um possível acordo de paz entre Washington e Teerão, considerado mais próximo do que há muito. Um alto responsável da Administração afirmou que o acordo pode ser alcançado em dias, sem garantia de sucesso total. O Paquistão atua como mediador-chave.
O impacto económico é relevante, dado que parte significativa do comércio mundial de petróleo passa pelo estreito de Ormuz. O Irão encerrou o estreito a nações hostis, causando subida dos preços da energia. Mesmo com um entendimento, a desminagem da área exige grande esforço militar.
UK e França apresentaram uma proposta de desminagem apoiada por planeadores de cerca de 15 países, com mobilização rápida após qualquer acordo. Obter o aval de Trump surge como objetivo central, embora o presidente tenha minimizado a ameaça das minas iranianas.
Relações entre França, EUA e a influência europeia
A cimeira coloca Macron no centro da gestão de uma relação tensa com Trump, marcada pela cooperação desigual ao longo do tempo. Um responsável europeu descreveu a relação recente como de respeito relutante, mesmo com canais de comunicação abertos.
As delegações europeias chegam com críticas: tarifas dos EUA sobre produtos europeus, ambiguidade de Trump sobre a NATO e impactos do fecho de Ormuz. Analistas apontam menor tolerância europeia face às decisões de Washington.
O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, participa após discurso em Dublin, destacando a necessidade de manter regras internacionais estáveis. O Canadá e a Irlanda veem uma ordem mundial baseada em regras a rutura com sinais de mudança.
Ucrânia, IA e os próximos passos
Zelenskyy participará numa sessão de trabalho dedicada a construir paz e segurança na Europa, com presença confirmada na terça-feira. Não está prevista reunião bilateral com Trump, sinalizando mudança de peso político de Kiev.
No que respeita à IA, os encontros incluem os chefes de ChatGPT OpenAI, Google DeepMind e Anthropic — Sam Altman, Demis Hassabis e Dario Amodei — pela primeira vez presentes numa cimeira do G7. Macron convidou Altman para um encontro que visa assegurar uso seguro e eficiente da tecnologia.
A cimeira promete ainda um almoço de trabalho com dirigentes empresariais para discutir políticas de IA, reforçando o enfoque em regulação, ética e inovação. O objetivo é alinhar ações entre Estados e setor privado com base em princípios de segurança tecnológica.
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