- Os enviados da administração Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, reuniram-se esta semana com peritos nucleares no laboratório nacional de Oak Ridge, no Tennessee, para avaliar possível envolvimento em negociações sobre o programa nuclear iraniano.
- Fontes do Axios alertam que, apesar do encontro, não há garantias de acordo e não se deve criar otimismo excessivo; a equipa tem sido criticada por falta de conhecimento técnico suficiente.
- Um ponto controverso nas negociações é o objetivo dos EUA de impedir o enriquecimento de urânio pelo Irão, que o país não aceita, com outros temas a incluirem alívio de sanções e a normalização de passages no estreito de Ormuz.
- Existem mais de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, material que o Irão afirma ter fins pacíficos; Donald Trump disse ter considerado uma operação militar para o retirar, mas afastou a hipótese por causa do risco.
- Enquanto isso, o Irão atacou instalações americanas no Kuwait e no Bahrein em retaliação a ataques a radares iranianos; os EUA preparam uma resolução contra o Irão na Agência Internacional de Energia Atómica, com cautela de outros países sobre o impacto nas negociações.
O grupo de negociação da Administração Trump manteve esta semana uma reunião com peritos nucleares no laboratório nacional de Oak Ridge, no Tennessee. Os especialistas, que poderão influenciar negociações sobre o programa nuclear do Irão, participaram de um encontro com Steve Witkoff e Jared Kushner, segundo o site Axios. A reunião é vista como passo potencial, mas não garante acordo.
Segundo analistas, a presença de peritos pode ajudar a esclarecer questões técnicas complexas que têm marcadamente dificultado as negociações. A leitura é que o diálogo entre diplomatas e técnicos pode reduzir lacunas de entendimento entre as partes envolvidas.
A Axios não revelou detalhes sobre o grau de envolvimento dos peritos nem o âmbito pretendido da participação nas negociações com Teerão. Fontes próximas ao assunto destacam que a fase é considerada séria, ainda que sem garantias de sucesso.
Contexto político e técnico
O Irão tem mantido reticência a aceitar cenários que impliquem impedimento total de enriquecimento de urânio. O debate envolve também o alívio de sanções e a normalização de passagens no estreito de Ormuz, com diferentes posições entre EUA e Iran.
Entre os tópicos em disputa está o material já existente no Irão, superior a 440 quilos de urânio enriquecido a 60%. O Irão afirma que o programa é pacífico, enquanto o uso militar é discutido por analistas e governos aliados aos EUA.
Donald Trump revelou aos jornalistas, na Casa Branca, ter considerado, em tempos, retirar esse material por via militar, mas afastou a hipótese por riscos. O Presidente afirmou que o material permanece seguro, enquanto os EUA desejam que não permaneça no Irão.
As fontes contactadas pela Axios alertam para evitar leituras excessivamente optimistas sobre impacto direto das conversas atuais. A avaliação é de que há diferenças substanciais entre posições, o que pode inviabilizar avanços imediatos.
Repercussos diplomáticos
Entre as possíveis consequências, está a preparação de uma resolução dos EUA condenando o Irão na Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), avançada pela Reuters. Países como Rússia e China observam com cautela o desenvolvimento, dada a sensibilidade das negociações sobre o nuclear e o poder deOrmuz.
O vice‑ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Gharibabadi, afirmou que os relatórios da AIEA não devem servir de ferramenta de pressão política. Gharibabadi defendeu que hoje a agência não tem acesso pleno ao Irão.
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