- O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou à Euronews que o ataque de drones à central de Barakah, nos Emirados Árabes Unidos, foi mais perigoso do que o ocorrido em Zaporíjia, na Ucrânia, porque os reatores estavam ativos.
- Grossi avisou que milhares de toneladas de material nuclear podiam provocar um acidente radiológico de consequências muito graves.
- A comparação com Zaporíjia aponta que, enquanto em Barakah os reatores estavam em operação, em Zaporíjia estavam em “shutdown”, o que torna a situação menos arriscada no momento.
- O vice-presidente do Conselho de Administração da Autoridade Federal para a Regulação Nuclear dos Emirados, Hamad Alkaabi, chamou o ataque de escalada grave e violação do direito internacional, destacando que instalações nucleares civis devem ser protegidas.
- A AIEA vai discutir o incidente numa sessão especial do Conselho de Governadores em Viena; de momento, não houve libertação de radiação e as autoridades elogiaram a resposta rápida do operador ENEC e do regulador.
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, disse à Euronews que o ataque com drones à central nuclear de Barakah, nos Emirados Árabes Unidos, foi potencialmente mais perigoso do que o ocorrido na Zaporíjia, na Ucrânia. Os reatores presentes em Barakah estavam a operar no momento do ataque, aumentando o risco de um acidente radiológico com consequências graves.
Grossi, que visitou a central na zona ocidental do Golfo, descreveu o ataque como extremamente grave e irresponsável, sublinhando que uma central nuclear abriga milhares de toneladas de material nuclear. Em Zaporíjia, pelo contrário, as instalações encontram-se em modo de funcionamento parado, com os reatores em situação de desligamento.
Barakah vs Zaporíjia
O comentário de Grossi aponta para a diferença crítica: Barakah está em operação, o que eleva a importância da proteção de infraestruturas civis. Em Zaporíjia, as autoridades mantêm monitorização permanente, mas os reatores estão desligados desde o final de 2022.
Reações e responsabilidades
Hamad Alkaabi, vice-presidente do Conselho de Administração da Autoridade Federal para a Regulação Nuclear dos Emirados, classificou o ataque como uma escalada grave e uma violação do direito internacional. Definiu a ação como proibida pelo direito humanitário, destacando a necessidade de proteger instalações nucleares em funcionamento.
Ambos os representantes destacaram a eficácia dos procedimentos de resposta no Barakah. O operador da central, ENEC, e o regulador responderam rapidamente, ativando medidas de mitigação sem registar libertação de radiação.
Cooperação internacional e próximos passos
A AIEA tem monitorização permanente em Zaporíjia desde setembro de 2022 e continuará a acompanhar Barakah. Grossi elogiou a decisão dos Emirados de levar o caso à AIEA, em vez de recorrer a represálias, destacando o papel da cooperação internacional.
O incidente será discutido numa sessão especial do Conselho de Governadores da AIEA, em Viena, na próxima sexta-feira, conforme anunciado. Grossi confidenciou que manterá a comunidade internacional informada com dados completos sobre o ocorrido.
Contexto de Barakah
Barakah, situada na costa do Golfo, na região de Al Dhafra, em Abu Dhabi, é a primeira central nuclear operacional no mundo árabe e uma das maiores em termos de produção. A caso atual intensifica o debate sobre a proteção de infraestruturas nucleares civis a nível global.
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