- Portugal concorre a um quarto mandato no Conselho de Segurança das Nações Unidas para o biénio 2027-2028, em eleição por voto secreto na Assembleia Geral da ONU.
- António Monteiro destaca que, nessa altura, Portugal procurou dar voz aos mais fracos e impulsionou processos como a independência de Timor-Leste, com particular atenção a Angola, Libéria e Serra Leoa.
- O país integrou uma “troika de observadores” com a Rússia e os Estados Unidos, esteve envolvido na iniciativa Oil for Food e abriu o Conselho a organizações não governamentais, como a Amnistia Internacional.
- José Moraes Cabral sublinha a necessidade de maior transparência no Conselho de Segurança, defesa do multilateralismo e da diplomacia preventiva, para evitar respostas apenas punitivas a crises.
- Portugal disputa, com a Alemanha e a Áustria, os dois lugares atribuídos à Europa Ocidental e Outros Estados, para o biénio 2027-2028, sob o lema Prevenção, Parceria, Proteção.
O Portugal candidata-se, pela quarta vez, a um mandato não permanente do Conselho de Segurança da ONU para 2027-2028. A eleição ocorre por voto secreto de 193 membros na Assembleia Geral da ONU, na próxima quarta-feira.
Entre as peças do contexto está o histórico de participação de Portugal no organismo. A atuação anterior incluiu defender direitos humanos, abrir o Conselho a actores não estatais e promover a diplomacia preventiva, com foco na proteção de quem tem menos voz.
António Monteiro, antigo embaixador de Portugal na ONU, recorda que o país atuou para dar voz aos menos favorecidos durante o mandato de 1997-1998. Monteiro destaca também o papel de Timor-Leste e a cooperação com países africanos em contexto de conflitos.
José Moraes Cabral, representante português entre 2008 e 2013, reforça a ideia de maior transparência no Conselho de Segurança. O diplomata aponta a necessidade de ouvir mais os diferentes Estados e de fortalecer o multilateralismo, mantendo a linha da diplomacia preventiva.
No atual biénio em avaliação, Portugal destacou a crise na Guiné-Bissau, com uma resolução de 2012 que visou restabelecer a ordem constitucional e promover eleições livres. Em vários mandatos, a Síria e a Líbia também marcaram a atuação portuguesa.
Portugal concorre, nesta eleição, com Alemanha e Áustria, pelos dois lugares da Europa Ocidental e Outros Estados. O lema da candidatura é Prevenção, Parceria, Proteção, alinhado com a disponibilidade de atuar na prevenção de conflitos e na cooperação internacional.
Releva pontos-chave da candidatura
- O objetivo é obter um quarto mandato não permanente no CSONU para 2027-2028.
- O voto é secreto e depende da maioria dos 193 Estados membros.
- A meta passa por reforçar o papel da ONU, ampliação da participação de actores diversos e maior foco em prevenção.
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