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UE aprova centros de retorno numa política migratória mais dura

A União Europeia avança para aprovar a Regulação dos Retornos, abrindo centros de expulsão fora da UE e acelerando deportações

As autoridades italianas transferem migrantes irregulares para um centro de detenção gerido por Itália em Shengjin, Albânia, considerado modelo para centros de retorno
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  • A União Europeia está prestes a aprovar o Regulamento dos Retornos, que permite centros de retorno fora da UE, maior duração de detenções e remoções aceleradas de migrantes sem direito a permanecer.
  • Espera-se hoje um acordo entre governos da UE e o Parlamento Europeu, marcando uma viragem para uma política migratória mais restritiva.
  • A lei pretende aumentar a taxa de retorno, que hoje ronda cerca de vinte e oito por cento entre os migrantes com ordem de saída.
  • Organizações de direitos humanos criticam a medida, alertando para prisões extraterritoriais e detenção de menores, com mais de duas centenas de entidades a pedir a rejeição.
  • Itália já opera modelo semelhante na Albânia; outros países, como Alemanha, Países Baixos, Áustria, Dinamarca e Grécia, exploram parceiros para potenciais centros, e as regras de detenção sobem de seis meses para dois anos.

A União Europeia está prestes a aprovar uma lei que amplia os poderes de expulsão e cria centros de retorno fora do espaço comunitário. A medida visa acelerar deportações e facilitar remoções de migrantes sem direito a permanecer na UE.

O Regulamento dos Retornos é considerado uma viragem significativa na política migratória europeia. Impulsionado por pressões públicas e pela ascensão de forças anti-imigração, o texto pretende tornar mais rígidas as regras de permanência dentro do bloco.

A negociação entre governos da UE e o Parlamento Europeu está prevista para hoje, em Bruxelas. O objetivo é chegar a um acordo que defina o envio de migrantes para centros externos à UE mediante acordos com Estados terceiros.

O que muda com a lei

A nova norma autoriza estados-membros a criarem centros de retorno fora da UE, com períodos de detenção mais longos e regras de entrada mais restritivas. Esses centros podem funcionar como pontos de passagem ou como locais onde o migrante fica instalado.

A legislação também elimina a exigência de retorno apenas ao país de origem ou a estados com vínculos comprovados. Famílias com crianças podem ser transferidas para centros, mas menores não acompanhados ficam excluídos.

Organizações de direitos humanos criticam a proposta, afirmando que pode conduzir à detenção em países com garantias legais limitadas. Ao todo, mais de 250 entidades já manifestaram oposição ao texto.

Detalhes operacionais e prazos

Os Estados-membros poderão inspecionar residências ou instalações relevantes de migrantes irregularmente alojados. Além disso, a lei prevê que a suspensão de ordens de retorno, que hoje é automática durante recursos, passe a depender de decisão judicial caso a caso.

O tempo máximo de detenção de migrantes até ao retorno passará de seis meses para dois anos, com possibilidade de prorrogação para quem for considerado ameaça à segurança. As proibições de entrada também endurecerão, incluindo potenciais proibições vitalícias.

A discussão entre as partes deve arrancar às 18 horas, em Bruxelas, com alinhamento total sobre o conteúdo, apesar de divergências sobre o calendário de implementação. O texto final ainda precisa ser aprovado pelos eurodeputados e pelos estados membros.

Contexto político e impacto

A proposta enquadra-se no atual ciclo político da UE, marcada por maior foco em segurança fronteiriça e cooperação com países terceiros. Observa-se impacto potencial em eleições europeias e no crescimento de partidos conservadores na região.

O governo de Itália já opera um modelo semelhante na Albânia, enquanto Alemanha, Países Baixos, Áustria, Dinamarca e Grécia estudam ou avançam com parcerias para futuros centros de retorno. A efetivação dependerá de acordos bilaterais.

O que vem a seguir

Após o acordo entre UE e Parlamento, o texto seguirá para aprovação formal pelos eurodeputados e pelos países-membros. Sem essa ratificação, não é possível implementar plenamente as medidas previstas na nova regulamentação.

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