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França: Assembleia Nacional aprova revogação do Código Negro da escravatura

A aprovação revoga o Código Negro, símbolo do estatuto escravo, numa frente de enfrentamento ao legado colonial e às desigualdades

Estátua «Chains», criada pelo artista francês Driss Sans-Arcidet em homenagem à abolição da escravatura, num parque de Paris, em 27 de maio de 2026
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  • A Assembleia Nacional aprovou um projeto de lei para revogar o Código Negro, decretos dos séculos XVII e XVIII que classificavam pessoas escravizadas como bens móveis nas colónias francesas.
  • O Código Negro, criado sob Luís XIV, ditava regras de vida, punições brutais e negava a condição humana, incluindo a herança de escravos.
  • A revogação depende ainda da avaliação do Senado antes de se tornar lei; o presidente Emmanuel Macron manifestou apoio à medida.
  • A escravatura foi abolida em França em 1848, com o reconhecimento em 2001 de crimes contra a humanidade; estima-se que cerca de 1,4 milhões de africanos foram enviados para as colónias.
  • Ativistas e políticos destacam que o legado persiste em desigualdades entre a França metropolitana e territórios ultramarinos, e há pedidos por reparações mais substanciais.

A Assembleia Nacional aprovou esta quinta-feira a revogação do Código Negro, decreto de 1685 que regulava a vida das pessoas escravizadas nas colónias francesas. O passo era visto como simbólico, num país a enfrentar o legado do colonialismo e a desigualdade histórica. A medida surge numa altura de debates sobre reparações.

O projeto de lei, já aprovado pela Assembleia, pretende eliminar os éditos reais que, ao longo dos séculos XVII e XVIII, classificavam indivíduos escravizados como bens móveis. O Senado ainda deverá pronunciar-se num data por definir, permitindo a adoção final da lei. Macron já expressou apoio à revogação.

Contexto histórico

Os decretos do Código Negro definiram a religião, o regime de trabalho e o estatuto jurídico de escravizados, incluindo punições severas e a transmissão hereditária da condição de escravo. A ausência de revogação explícita manteve-se durante quase 300 anos de história colonial francesa.

Reações e perspetivas

Defensores da revogação consideram o gesto necessário para enfrentar o legado colonial e as desigualdades entre França metropolitana e territórios ultramarinos. Ativistas pedem, além da revogação, um programa de reparações que inclua educação histórica e combate ao racismo estrutural.

Perspetivas políticas e regionais

Entre os territórios ultramarinos, de Guadalupe e Martinica, a revogação é encarada como um passo simbólico, mas não suficiente para colmatar prejuízos históricos. Autoridades locais destacam a necessidade de políticas públicas que promovam igualdade de oportunidades.

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