- O presidente argentino, Javier Milei, intensificou insultos a jornalistas, chamando-os de “lixo repugnante” e outros rótulos, principalmente na rede social X.
- Milei afirmou que 95% do jornalismo é “lixo” e encerrou a sala de imprensa da Casa Rosada durante 11 dias, segundo relatos.
- Entre os visados esteve Luciana Geuna, do Todo Noticias, a quem chamou de “lixo mentiroso”; episódios semelhantes envolveram Viviana Canosa, Mauro Federico e Débora Plager.
- O Fórum de Jornalismo Argentino (FOPEA) e a Amnistia Internacional denunciam uso sistemático de insultos, com centenas de publicações desde 2023.
- Organizações alertam para aumento da intimidação judicial, agressões na cobertura e ataques de milícias digitais, apontando para um recuo da liberdade de expressão na Argentina.
O presidente da Argentina, Javier Milei, intensificou ataques verbais a jornalistas e meios de comunicação. As ofensas passaram a ocorrer com maior frequência nas redes sociais, especialmente na plataforma X, onde o chefe de Estado divulgou mensagens críticas.
A ofensiva pública levou organizações de direitos humanos a alertar para um clima de hostilidade que pode afetar o exercício do jornalismo. A Amnistia Internacional Argentina e o FOPEA destacam padrões de discriminação e assédio institucional.
Milei já tinha utilizado termos pejorativos desde o início do mandato, mas nas últimas semanas aumentaram as publicações e citações a profissionais, inclusive nomes de peso como Luciana Geuna, da Todo Noticias, a quem acusou de desonestidade após uma reportagem sobre a Casa Rosada.
Mudança de foco nas acusações
Entre as declarações, o presidente afirmou que grande parte do jornalismo é lixo e encerrou a sala de imprensa da Presidência por 11 dias, alegando riscos à segurança. Em outras intervenções, citou Viviana Canosa e Mauro Federico em acusações diversas.
Casos e datas relevantes
Em 14 de maio, Milei apontou Débora Plager, da La Nación+, durante entrevista em streaming, acusando-a de ser cúmplice de homicídio por apoiar o aborto livre. Duas entrevistas na mesma noite foram seguidas de 73 insultos segundo análises independentes.
Análise e impactos
AFOPEA calcula que Milei foi responsável por 85% dos casos de discurso estigmatizante contra jornalistas em 2025, ano de recorde de investigações desde 2006. Relatórios indicam também aumento de intimidações judiciais e ataques de milícias digitais.
Posicionamentos de organizações
Paula García Rey, da Amnistia Internacional Argentina, aponta uso reiterado de X para identificar alvos e gerar autocensura. Fernando Stanich, da FOPEA, diz que o problema vai além da crítica e envolve ódio amplificado por redes digitais.
Contexto institucional
As entidades destacam que a prática representa retrocesso para a liberdade de expressão no país, com relatos de agressões em rua e pressões legais sobre profissionais de imprensa. As organizações ressaltam a necessidade de proteção aos jornalistas.
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