- O Irão regista inflação anual de 53,7%, alimentos com subidas acima de 115%, e o rial caiu para o mínimo histórico de 1,9 milhões por dólar; o FMI prevê uma contração de cerca de seis pontos percentuais no próximo ano.
- O bloqueio naval dos EUA e a guerra elevam custos e custos de energia, afectando globalmente o abastecimento, com encerramento de empresas e despedimentos em massa no Irão.
- Preços de bens essenciais dispararam: frango, borrego, arroz e ovos subiram significativamente; o governo fez ajustes como aumento de 60% do salário mínimo e cartões de bens, o que também alimenta a inflação.
- A crise está a pressionar a classe média e a deixar milhões em risco de pobreza, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
- Líderes iranianos apelam à resistência económica: o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, exorta evitar despedimentos, e o presidente do parlamento pede poupar gastos e apoiar-se mutuamente.
O Irão enfrenta uma conjuntura de guerra, bloqueios marítimos e inflação galopante que abalam a sua economia. O estreito de Ormuz permanece sob controlo iraniano, impactando o abastecimento energético global e exercendo pressão sobre as contas nacionais. Washington mantém as sanções e pressão, aumentando o custo da resistência de Teerão.
Acompanhando o agravamento, o país regista aumentos de preços nos bens de primeira necessidade, despedimentos e encerramento de empresas. Economistas destacam o peso substancial do conflito e do bloqueio naval na economia iraniana, com sinais de adaptação, ainda que a custos elevados para a população.
O Fundo Monetário Internacional prevê uma contração de cerca de 6% do PIB no próximo ano. Dados oficiais indicam inflação de 53,7% ao ano, com o grupo alimentar a subir acima de 115% face a 12 meses antes. O rial atingiu mínimos históricos, negociando em cerca de 1,9 milhões por dólar.
A inflação acentuada já afeta o dia a dia em Teerão, onde a população enfrenta aumentos significativos de leite, chá, arroz, frango e ovos. Comerciantes e residentes descrevem dificuldades crescentes para aceder a bens básicos, agravadas pela proliferação de medidas oficiais para mitigar custos, que alimentam a inflação.
A partir de relatos de rua, a subida de preços coincide com perdas de emprego e encerramentos de empresas. Profissionais de várias áreas relatam redução de rendimentos e dificuldade em manter serviços, com muitos ajustando gastos e recorrendo a atividades informais para sobreviver.
A guerra intensifica a pressão sobre a classe média, já reduzida por décadas de sanções. Estimativas da ONU apontam para a subida da pobreza entre milhões de iranianos. Em Teerão, profissionais de serviço e trabalhadores de setores diversos relatam impactos psicológicos e sociais, incluindo dificuldades de subsistência.
Lideranças iranianas apelam à resistência interna para enfrentar o esforço de guerra. O líder supremo, Mojtaba Khamenei, descreve o conflito como um campo económico e pede que empregadores evitem despedimentos. O presidente do parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, incentiva poupança pública e cooperação para mitigar impactos.
O comércio no Golfo continua fortemente dependente das rotas do sul, com estimativas a apontar mais de 90% do comércio iraniano afetado pelo bloqueio. O país sustenta que está preparado para evitar um colapso total, embora reconheça custos elevados para a população.
Entre relatos de rua, há quem rejeite a ideia de aceitar condições impostas por potências externas, mantendo o discurso de resistência. Taxistas, trabalhadores e residentes descrevem uma crise de custos que persiste, com efeitos de longo prazo na vida quotidiana.
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