- Ativistas do movimento FEMEN, aliado a membros da Pussy Riot, tentaram invadir o pavilhão russo na Bienal de Veneza a 7 de maio de 2026, mas a polícia impediu a entrada.
- Nadezhda Tolokonnikova, membro das Pussy Riot, disse à Euronews que o objetivo era falar com o presidente da Bienal para discutir a exclusão da Rússia e a possibilidade de atuar como curadoras do pavilhão russo.
- Foi apresentada a conceito para a Bienal de 2028: expor a arte de prisioneiros políticos russos, com mais de 50 nomes já identificados e centenas a serem incluídos, segundo Tolokonnikova.
- A organização aponta críticas à participação russa, com ameaças de corte de financiamento da União Europeia e reacções de distanciamento por parte de autoridades italianas; as ações conjuntas com o FEMEN foram descritas como inspiradas e históricas.
- Tolokonnikova mostrou uma carta do presidente da Bienal, Pietrangelo Buttafuoco, alegando uma brecha legal para manter o pavilhão aberto, e pediu investigação sobre ligações entre Buttafuoco e autoridades russas.
Nadezhda Tolokonnikova, membro das Pussy Riot, participou numa ação com ativistas do FEMEN no pavilhão russo da Bienal de Veneza, em 7 de maio de 2026. O protesto questionou a participação da Rússia na mostra, em pleno contexto de tensões desde a invasão da Ucrânia em 2022. A polícia italiana bloqueou a entrada.
Tolokonnikova, que vive exilada e acompanha casos de prisioneiros políticos na Rússia, deu uma entrevista de Veneza à Euronews, descrevendo a ação e os objetivos do grupo. A ativista reiterou que o foco é levar ao diálogo os organizadores e, em particular, o presidente da Bienal, Pietrangelo Buttafuoco.
A iniciativa, chamada de tempestade em Veneza, visou contactar Buttafuoco para abrir espaço de diálogo no pavilhão russo. Segundo a organizadora, houve restrições policiais e falta de resposta oficial, mantendo a ideia de que a Bienal prega o diálogo e a luta contra a censura.
Proposta de participação de artistas presos
Tolokonnikova afirmou que a vitória seria excluir oficialmente a Rússia da Bienal e autorizar a participação de curadores do pavilhão russo. A proposta é apresentar obras de artistas detidos por motivos políticos, atualmente presos na Rússia, por manifestarem-se a favor da Ucrânia ou contra o regime.
A responsável das Pussy Riot disse ter um balanço com mais de 50 nomes de artistas, em atualização contínua, e garantiu contactos com familiares, advogados e grupos de apoio. A ideia é organizar a exibição de obras em dois dias, com um pavilhão dedicado e diálogo real com os organizadores.
Contexto recente e desdobramentos
Desde o anúncio da presença russa na Bienal, a instituição tem estado sob escrutínio europeu, com ameaças de retirada de financiamento e distanciamento de autoridades italianas. A comissária europeia para a Soberania Tecnológica emitiu uma segunda carta com prazos para justificar a abertura do pavilhão russo, sob risco de perda de financiamento.
A líder da Pussy Riot comentou ainda a cooperação com ativistas do FEMEN, destacando a relação entre movimentos feministas de ambas as organizações. A audiência com Inna Shevchenko gerou um momento simbólico, com canções de protesto voltadas a defender a autonomia artística e a liberdade de expressão.
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