- Um estudo genómico mostra que descendentes que falam quíchua no Peru desenvolveram mais cópias do gene AMY1, ligado à digestão do amido, devido à dieta baseada em batata.
- Em média, essas pessoas possuem dez cópias do AMY1, duas a quatro a mais do que a maioria, e nenhuma outra população excede esse número.
- As alterações genéticas começaram na mesma época em que a batata foi domesticada, tornando-a fonte central de alimento.
- Os investigadores analisaram dados de mais de três mil setecentos indivíduos de oitenta e cinco populações, incluindo oitenta e um falantes de quíchua no Peru.
- A hipótese é de que mais cópias do AMY1 aumentam a produção de amilase, facilitando o metabolismo do amido, com possíveis efeitos no microbioma e na saúde.
O estudo revela como a domesticação da batata, na região andina entre seis mil e dez mil anos, moldou a genética local. Os descendentes atuais, falantes do quíchua no Peru, apresentam alterações associadas à digestão do amido. A investigação é publicada na Nature Communications.
A equipa analisou dados de mais de 3700 pessoas, de 85 populações globais, incluindo 81 falantes de quíchua com ascendência andina. Observou-se que a variação AMY1 tem em média 10 cópias nesses indivíduos, duas a quatro acima da média mundial.
Segundo os autores, as cópias extras do gene reforçam a produção da enzima amilase, facilitando o metabolismo de dietas ricas em amido, como a batata. A pesquisa sugere que estas mudanças ocorreram com a domesticação da planta.
A pesquisadora Abigail Bigham explica que a adaptação alimentar pode ter impactos no metabolismo e na saúde, refletindo eventos de domesticação na biologia humana. A análise também aponta possíveis efeitos no microbioma intestinal.
No Peru, a batata continua a ocupar lugar central na alimentação, com grande diversidade de variedades cultivadas. Estima-se que existam entre 3000 e 4000 tipos diferentes de batata no país, frente à oferta global mais reduzida.
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