- A Europa está a ajustar o serviço militar, com coexistência de serviço obrigatório, modelos híbridos e forças voluntárias, impulsionados pela guerra na Ucrânia e pela vontade de reduzir dependência dos EUA.
- Na Alemanha, o governo criou um modelo híbrido que mantém o serviço voluntário, mas introduz registo obrigatório para jovens para fortalecer reservas e preparar possível reactivação da conscrição, mirando maior capacidade das Forças Armadas.
- Em França, o serviço militar voluntário começa já neste Verão, com jovens entre 18 e 19 anos a cumprir dez meses de voluntariado, incluído em formação militar e integração em unidades, acompanhado de salário mensal e orçamento adicional.
- Nos países nórdicos, a conscrição mantém-se ou foi reactivada: Finlândia continua com serviço obrigatório; Suécia e Noruega mantêm recrutamento incluído homens e mulheres; Dinamarca tem modelo obrigatório formal, mas depende de voluntariado para cobrir necessidades.
- Para além disso, Estónia, Letónia e Lituânia veem o serviço obrigatório como essencial; Croácia reintroduziu a conscrição este ano; Polónia aposta em treino militar voluntário elevado e prepara programa de treino em larga escala; Bélgica tem recrutamento voluntário com incentivos para jovens.
Num quadro de insegurança crescente, a Europa repensa o serviço militar. A guerra na Ucrânia acelera reformas, com foco em independência estratégica e reforço de reservas. O modelo híbrido começa a substituir o puramente voluntário.
Na Alemanha, o governo de Friedrich Merz lançou, em novembro, um sistema híbrido que mantém o serviço voluntário, mas cria registo obrigatório para jovens. Pretende ampliar as forças de 182 mil para cerca de 260 mil, com 200 mil reservistas.
Em França, Emmanuel Macron optou por uma via gradual. O novo serviço militar voluntário começa no verão, visando 10 meses de voluntariado entre 18 e 19 anos, com cerca de 800 euros mensais. O objetivo é atingir 10 mil voluntários até 2030.
Mudanças na prática e financiamento
A França planeia uma atualização da lei de programação militar, com mais de 2 mil milhões de euros adicionais. Espera-se que 3 mil jovens se inscrevam este verão, aumentando para 50 mil até 2035.
Países nórdicos e Balcãs: continuidade da conscrição
A Finlândia mantém um regime robusto de serviço obrigatório para homens, reforçado pela adesão à NATO em 2023. A fronteira com a Rússia é estratégica, com mais de 1.300 km.
A Suécia reativou o serviço militar obrigatório desde 2018, incluindo homens e mulheres, assim como a Noruega. A Dinamarca mantém o regime obrigatório, mas cobre necessidades com voluntariado.
Estónia, Letónia e Lituânia
Nos Estados bálticos, o serviço é visto como essencial frente à ameaça russa. A Lituânia aumentou para 5.000 conscritos por ano em 2026.
Sul da Europa: conscrição e reformas
Áustria, Croácia, Grécia e Chipre mantêm a conscrição para homens. A Croácia reintroduziu a medida este ano, com dois meses de treino básico.
Itália, Espanha e Polónia abandonaram ou suspenderam a conscrição, fortalecendo treinos voluntários e reservas. A Polónia anunciou, em 2025, treino militar para todos os homens adultos. A Bélgica tem procurado voluntários com incentivo salarial.
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