- Hoje celebra-se o Dia Mundial da Língua Portuguesa; reconhecida pela UNESCO em 2019, é a única língua não oficial da ONU a receber esse estatuto.
- O português é língua oficial em nove países (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) e na Região Administrativa Especial de Macau, falado por mais de 265 milhões de pessoas.
- Estima-se que esse números cheguem a quase 400 milhões em 2050 e ultrapassem 500 milhões em 2100; é a quarta língua mais falada no mundo.
- Tornar o português língua oficial da ONU seria um “selo de reconhecimento” e colocaria a língua em paridade com as seis oficiais atuais, mas depende de consenso entre Estados-membros da CPLP.
- Existem metas para alcançar esse reconhecimento até 2030, com apoio de governos e parceiros da CPLP; o português já é oficial ou de trabalho em trinta e duas organizações internacionais e tem crescente presença na internet e no ensino.
Hoje é o Dia Mundial da Língua Portuguesa, instituído em 2009 pela CPLP e reconhecido pela UNESCO em 2019. O português é a única língua não oficial da ONU a receber este reconhecimento.
A língua é oficial em nove países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, além de ter status na Região Administrativa Especial de Macau. Estima-se que seja falada por mais de 265 milhões de pessoas nos cinco continentes.
O português figura entre as quatro línguas mais faladas no mundo. No entanto, esse dado não assegura a sua elevação a língua oficial na ONU, processo que avança com apoio da CPLP.
Progresso e Declarações Oficiais
Em entrevista à Euronews, Florbela Paraíba, presidente do Camões — Instituto da Cooperação e da Língua, descreveu o eventual reconhecimento como um *selo de reconhecimento* que colocaria o português em paridade com as línguas oficiais das Nações Unidas.
As seis línguas oficiais da ONU são: inglês, francês, espanhol, russo, árabe e chinês. O reconhecimento traria ganhos para a cooperação com países de língua oficial portuguesa, segundo a presidente do Camões.
A CPLP já promove a língua em 32 organizações internacionais, incluindo o Mercosul, a CEPAL, a União Africana, a UE, a CPLP e a OMS. Para Florbela Paraíba, o reconhecimento seria o corolário de uma caminhada institucional.
Passos, Desafios e Perspetivas
A ideia de tornar o português oficial na ONU tem ganho força há cerca de uma década. Em 1 de novembro de 2016, a CPLP discutiu a adesão na cimeira em Brasília.
No ano seguinte, António Costa afirmou na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, que a projeção de populações falantes justificaria a elevação a língua oficial em vários organismos internacionais. O primeiro-ministro observou que a meta está alinhada com o desígnio da CPLP.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português aponta para a adoção de uma estratégia conjunta com a CPLP para alcançar o objetivo até 2030. Florbela Paraíba sublinha a necessidade de cooperação entre todos os países lusófonos e simpatizantes.
Desafios Financeiros e Logísticos
A tradução de documentos oficiais para o português e a contratação de recursos humanos representam custos significativos não quantificados oficialmente, mas estimados em milhões de euros anuais. Ainda assim, o português é visto como uma língua em crescimento.
Segundo a responsável do Camões, o aumento do interesse global decorre do crescimento demográfico de falantes e da presença da língua nas redes sociais, bem como da utilidade profissional para diplomatas, médicos e funcionários de organizações internacionais.
Presença Global e Formação
O português tem destaque na internet e em redes sociais, com a sexta maior base de falantes na web segundo a ONU. O Camões revela uma rede de ensino que abrange 325 horários na rede oficial de professores, com 651 na rede apoiada, distribuídos pela Europa, África e outros continentes.
Na Europa há concentração de docentes, com atuação relevante na Alemanha, França, Suíça, Reino Unido, Espanha, Bélgica e outros. Em África, também existe uma rede de formação em países sem ligação direta à CPLP.
As autoridades destacam que o aumento de cursos e de alunos no estrangeiro reflete o interesse pela língua e pela cultura portuguesas, alimentando o debate sobre o futuro da ONU.
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