- Membros da Flotilha Global Sumud foram espancados e privados de água e comida durante a transferência para Creta, onde foram libertados esta sexta-feira.
- Ao desembarcar no porto de Atherinolakkos, os ativistas seguiram sob escolta da guarda-costeira grega para Heraklion.
- Dois coordenadores da flotilha, Thiago Ávila (brasileiro) e Saif Abu Keshek (espanhol-palestiniano), foram levados para interrogatório em Israel e não estavam na Grécia.
- A organização acusa que houve fraturas no nariz, costelas partidas e disparos durante o transporte, com relatos recebidos via Instagram; a AFP confirmou a informação.
- O Governo português confirmou a presença de pelo menos três cidadãos na flotilha e pediu explicações; Espanha exigiu a libertação de Abu Keshek; 33 embarcações ainda seguiam em rota para Gaza, segundo o rastreador.
Os ativistas da flotilha humanitária Global Sumud foram interceptados pela Marinha de Israel, deslocando-se para Gaza, e sofreram agressões, fome e desidratação durante a transferência para Creta. Ao desembarcarem, foram libertados na ilha grega nesta sexta-feira.
A ação envolveu dois coordenadores da flotilha, o brasileiro Thiago Ávila e o espanhol-palestiniano Saif Abu Keshek, que foram encaminhados para interrogatório em Israel. Segundo relatos, os activistas sofreram ferimentos graves, incluindo fraturas, após resistirem à separação de dois membros do grupo.
Após o desembarque em Atherinolakkos, no porto, a maioria dos participantes — na sua maioria cidadãos europeus — seguiu em quatro autocarros sob escolta da guarda-costeira grega para Heraklion, capital de Creta. A organização da flotilha indicou que estavam a bordo 211 ativistas, num total de 58 embarcações intercetadas pela forças israelitas.
Intervenção e contexto internacional
Segundo a AFP, 22 embarcações teriam sido interceptadas na madrugada de quinta-feira em águas internacionais, a cerca de 100 quilómetros a oeste de Creta, com transferência para um navio israelita. O grupo continua a acompanhar o envio de outras embarcações rumo à Faixa de Gaza, com o fluxo mantido por várias embarcações ao longo da costa sul de Creta.
A legalidade da operação é contestada por um comunicado conjunto assinado por cerca de 10 países, incluindo Espanha, Turquia e Paquistão, que denunciou violações do direito internacional. O Governo português confirmou a presença de pelo menos três cidadãos na flotilha e indicou que as autoridades consulares estão preparadas para apoiar, em Grécia ou em Israel.
Participação e impacto diplomático
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel informou que Ávila é suspeito de atividade ilegal e Abu Keshek é suspeito de filiação a uma organização terrorista. O Governo espanhol pediu a libertação imediata de Abu Keshek e assegurou proteção ao ativista. O Governo de Portugal acompanha o caso e mantém contactos com as autoridades envolvidas.
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