- Em 2025, os países europeus da NATO gastaram 739 mil milhões de euros em defesa, mais 14% face a 2024, a subida mais acentuada desde a década de cinquenta.
- A Alemanha investiu cerca de 97 mil milhões de euros, mais 24% do que em 2024, ultrapassando o Reino Unido e tornando‑se o maior investidor em defesa da Europa.
- Itália aumentou 20% e Espanha 50%, com a Espanha a atingir pela primeira vez desde o início dos anos noventa o objetivo de 2% do PIB em despesa militar.
- Em relação ao PIB, Polónia lidera entre os europeus com 4,5%, seguida de Letónia (3,6%), Estónia (3,4%) e Noruega (3,3%); o Reino Unido permanece o maior investidor relativo entre as cinco maiores economias da região (2,4%).
- Os Estados Unidos continuam a responder por cerca de 33% do total mundial de gastos em defesa; a Rússia, apesar da invasão, aumenta a despesa com armas mais baratas para reduzir custos operacionais.
Nos países europeus da NATO, as despesas militares cresceram em 2025 de forma acelerada, acompanhando pressões estratégicas e o debate sobre o objetivo de 5% do PIB. O aumento geral chegou a 14%, o que representa o maior ritmo desde a década de 1950 e o dobro do verificado há uma década. O valor total atingiu 739 mil milhões de euros.
A subida decorre de planos de modernização e ampliação de capacidades, impulsionados pela necessidade de reforçar defesa aérea, cibersegurança e domínio marítimo. Entre os países, a Alemanha lidera o investimento, num contexto de reestruturação das suas forças armadas.
Berlin investiu cerca de 97 mil milhões de euros, mais 24% face a 2024, tornando-se o maior investidor militar da Europa e o quarto a nível mundial. O montante coloca a Alemanha à frente do Reino Unido, dos EUA e da China no ranking continental.
A Bundeswehr e o reforço de capacidades
O pacote de 153 grandes projetos visa adquirir novos sistemas de armas e modernizar infraestruturas. Partes do investimento concentram-se em veículos de combate, com a encomenda de 237 sistemas de Infantaria do Futuro até 2029. A medida pretende aumentar letalidade, mobilidade e comando de combate.
A defesa aérea recebe prioridade com planos para até 600 tanques de armas antiáereas Skyranger 30, 20 Eurofighters adicionais e grandes encomendas de mísseis Patriot, IRST e Meteor. Também está prevista expansão naval com até 42 navios, incluindo corvetas e submarinos, além de investimentos espaciais.
A Alemanha prevê ainda investimentos em satélites espiões, aviões espaciais e sistemas de defesa baseados em laser no espaço, consolidando a Bundeswehr como a força armada convencional mais forte da Europa.
Outros países da Europa a aumentar as despesas
A Itália também aumentou fortemente as despesas, com um incremento de 20%, chegando a 41 mil milhões de euros. A Espanha houve um salto ainda maior, de 50%, atingindo o objetivo de 2% do PIB pela primeira vez desde os anos 90.
Gastos militares em relação ao PIB
A monitorização por percentagem do PIB revela que a Polónia lidera entre os países europeus, com 4,5% do PIB dedicado a defesa. Seguem-se Letónia (3,6%), Estónia (3,4%) e Noruega (3,3%). Islândia, Irlanda e Suíça ficam nos valores mais baixos.
Entre as cinco maiores economias do continente, o Reino Unido continua líder em termos absolutos do PIB, com 2,4%, seguido pela Alemanha (2,3%), Espanha (2,1%), França (2%) e Itália (1,9%).
O papel da Ucrânia e as despesas globais
A war on Ukraine influencia o conjunto de gastos. Nos EUA, houve uma queda de 7,5% nas despesas totais em 2025, devido à ausência de nova assistência financeira para Kiev nesse ano. Mesmo assim, Washington representa 33% do total mundial de gastos, sendo o maior contribuinte.
A China permanece a seguir, com 12% do total mundial, enquanto a Rússia soma 6,6%. O SIPRI ressalta que a Rússia mantém expansão de defesa apesar de sanções e pressões económicas, ajustando estratégias de aquisição para reduzir custos operacionais.
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