- Abramovich tornou-se cidadão português em 30 de Abril de 2021, mantendo atividade discreta e fortuna sob escrutínio internacional, especialmente após a invasão da Ucrânia.
- Entre antes de 24 de Fevereiro de 2022 e depois desse marco, reorganizou parte significativa do seu património, alegadamente ocultando cerca de 760 milhões de libras via estruturas offshore; o contabilista cipriota Demetris Ioannides é apontado como central.
- Documentos indicam que fundos fiduciários foram alterados com urgência e ativos redistribuídos por várias jurisdições, numa tentativa de mitigar o impacto de sanções.
- Parte da fortuna esteve ligada a empresas norte-americanas (Uber, Amazon, Microsoft), muitas vezes através de estruturas offshore; os EUA ainda não o incluíram nas listas de sanções.
- No Reino Unido, Jersey investiga possível corrupção e branqueamento de capitais, com o congelamento de 5,3 mil milhões de libras; Abramovich recorreu ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.
Roman Abramovich, que obteve a nacionalidade portuguesa em 30 de Abril de 2021, mantém uma atividade discreta enquanto a sua fortuna e movimentações permanecem sob escrutínio internacional, especialmente após a invasão da Ucrânia.
Entre o período anterior e o após 24 de Fevereiro de 2022, o oligarca reorganizou parte significativa do património. O Governo britânico afirma ter identificado ocultação de cerca de 760 milhões de libras via estruturas offshore, com Demetris Ioannides, contabilista cipriota, descrito como facilitador.
A reorganização ocorreu num contexto de sanções internacionais. Documentos do The Guardian e do OCCRP indicam alterações urgentes de fundos fiduciários e redistribuição de activos em várias jurisdições, para mitigar o impacto das sanções.
Parte dos activos circulou através de instituições financeiras internacionais. O OCCRP aponta milhares de milhões de euros ligados a empresas offshore associadas a Abramovich, em bancos como Credit Suisse, UBS e Barclays.
Esquemas financeiros complexos incluíram empréstimos entre entidades do mesmo grupo, levantando dúvidas sobre a origem dos fundos e eventual ocultação de ativos.
Apesar das sanções do Reino Unido e da UE, Abramovich mantém algum acesso indireto a circuitos financeiros globais, com restrições crescentes. Os EUA ainda não o sancionaram, o que facilita margens de manobra.
Parte da fortuna teria estado investida em grandes empresas norte‑americanas, incluindo Uber, Amazon e Microsoft, muitas vezes via estruturas offshore.
Investigações jornalísticas também sugerem transferências de activos para familiares próximos, semanas antes da guerra, com reorganização de trusts em nome dos filhos.
Além da esfera financeira, surgem ligações empresariais na Rússia. A Rússia Forest Products envolveu Abramovich em uma parceria com o Estado, desenhada para ocultar participação estatal, mas as partes saíram do capital pouco antes da invasão.
No Reino Unido, as autoridades de Jersey mantêm uma investigação por corrupção e branqueamento de capitais desde 2022, com o congelamento de 5,3 mil milhões de libras. Abramovich recorreu ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.
Recentemente, o Governo britânico prepara-se para levar o caso a tribunal após o fim do prazo para transferir 2,4 mil milhões de libras da venda do Chelsea para uma fundação dedicada à Ucrânia, conforme acordo de 2024.
Cinco anos após a cidadania portuguesa, Abramovich continua ligado a redes financeiras globais associadas à elite russa, com impacto contínuo sobre o debate público e político internacional.
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