- A AIEA afirma que Teerão não concedeu acesso às instalações nucleares bombardeadas durante o conflito de doze dias em junho, segundo relatório confidencial distribuído aos membros em fevereiro.
- O diretor-geral Rafael Grossi pediu que medidas de verificação “muito detalhadas” sejam incluídas num possível acordo para pôr fim à guerra no Médio Oriente.
- Grossi alertou que, sem inspetores da AIEA, não haverá acordo real, apenas a ilusão de acordo, destacando a necessidade de verificação de salvaguardas.
- O relatório da AIEA indica que o Irão mantém uma reserva de 440,9 quilogramas de urânio enriquecido até 60%, suficiente, em teoria, para até dez bombas nucleares se convertido em arma.
- A AIEA também reportou um rápido aumento das atividades nas instalações nucleares da Coreia do Norte, tamanho que preocupa observadores sobre a diplomacia com os EUA.
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, defende que um acordo para pôr fim à guerra no Médio Oriente inclua um regime de verificação detalhado do programa nuclear do Irão. O objetivo é assegurar que as atividades enriquecimento de urânio sejam monitorizadas de forma rigorosa, ainda que o Irão tenha resistência a determinados acessos.
Grossi afirmou que, sem inspetores da AIEA, não haverá um acordo credível, sinalizando que a verificação é componente indispensável do qualquer entendimento. O chefe da AIEA lembrou que o Irão mantém um programa nuclear ambicioso que requer acompanhamento constante.
Teerão não concedeu acesso da AIEA a instalações nucleares que foram alvo de ataques de Israel e dos EUA num conflito de 12 dias em junho, segundo um relatório confidencial da agência. O documento indica ainda que não é possível confirmar a suspensão de atividades de enriquecimento ou o volume de urânio nas instalações atingidas.
O relatório acrescenta que o Irão dispõe de 440,9 kg de urânio enriquecido até 60% de pureza, um patamar técnico próximo de, mas ainda abaixo de, níveis para armas. A AIEA reitera que este material deveria ser verificado mensalmente, conforme as suas diretrizes.
Num paralelo, a administração de Donald Trump tem apresentado a impedir o Irão de obter armas nucleares como objetivo essencial de política externa. O Irão sustenta que o seu programa é pacífico e rejeita limites adicionais.
No fim de semana, conversações entre o Irão e a Arábia, Paquistão não resultaram em acordo, com a Casa Branca a apontar a recusa iraniana em abandonar ambições nucleares. Fontes iranianas não identificadas contestaram a leitura de falha dos diálogos pela imprensa.
Grossi também comunicou um aumento rápido das atividades nas instalações nucleares da Coreia do Norte, reiterando preocupações sobre a evolução do programa de Yongbyon e a possível expansão de instalações de enriquecimento de urânio desde 2019, conforme observadores externos.
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