- Pequim apresentou um pacote de dez medidas para reforçar as relações com Taipé, após a visita de seis dias da líder do maior partido de oposição taiwanês, o Kuomintang (KMT).
- Entre as medidas está a criação de um mecanismo de comunicação regular entre o Partido Comunista Chinês (PPC) e o KMT, além de voos diretos, intercâmbio de jovens e apoio a empresas taiwanesas na China.
- O governo de Taipão diz que as promessas são “envenenadas” e rejeita unilateralmente as concessões de Pequim, mantendo reservas sobre acordos que possam influenciar a política de Taiwan.
- A visita da líder do KMT, primeira de um líder oposicionista em uma década, foi descrita pela China como uma viagem pela paz, e ocorreu sob convite do presidente Xi Jinping.
- O pacote surge num momento de tensões militares na região, com a China a intensificar a pressão sobre Taiwan e a manter contactos restritos desde 2016, após a vitória do DPP nas eleições locais.
Pequim anunciou um conjunto de dez medidas para fortalecer os laços com Taipé, visando crescimento económico e cooperação política. O pacote surge na sequência da visita de seis dias da líder do maior partido de oposição de Taiwan, o Kuomintang (KMT).
Cheng Li-wun, secretária-geral do KMT, realizou a viagem à China a convite do Presidente Xi Jinping. A deslocação foi descrita pela liderança taiwanesa como uma jornada pela paz, num momento de tensões militares na região do estreito de Taiwan.
O Gabinete para os Assuntos de Taiwan da China explicou que as medidas visam promover o desenvolvimento pacífico das relações através do estreito e aumentar o bem-estar dos compatriotas. A agência Xinhua detalhou a intenção de dialogar entre o PCC e o KMT.
Dialogo e cooperação
Entre as propostas está a criação de um mecanismo de comunicação regular entre o PCC e o KMT. Cheng Li-wun indicou disposição para agir conforme seja necessário para promover a paz através do estreito.
O CCP e o KMT devem, segundo o comunicado, consolidar uma visão de unidade territorial e intensificar ações para estreitar laços, rejeitando a independência de Taiwan. As autoridades chinesas destacaram que as medidas são parte de uma política de cooperação.
No âmbito cultural e turístico, Pequim propõe restabelecer voos diretos entre as duas margens, além de programas de intercâmbio de jovens. Também se prevê permitir a exibição de produções taiwanesas na China, desde que com conteúdo adequado e de qualidade.
Comércio e investimento
No eixo comercial, o governo chinês planeia facilitar a entrada de produtos agrícolas e da pesca de Taiwan na China continental e apoiar empresas taiwanesas a expandirem-se no território chinês. As iniciativas visam ampliar canais de venda e cooperação económica.
As ações foram recebidas de forma ambígua pela oposição em Taiwan. O vice-presidente do KMT considerou o pacote uma resposta positiva para o povo de Taiwan, enquanto o Conselho para os Assuntos Continentais de Taipé denunciou concessões unilaterais como envenenadas, defendendo intercâmbios sem objetivos políticos.
A China tem intensificado a pressão militar sobre Taiwan, com voos e navios próximos do estreito e exercícios na região. Pequim continua a considerar Taiwan como parte da China, ainda que Taipé governe o território desde 1949.
Entre na conversa da comunidade