- A redação da Novaya Gazeta, meio de comunicação independente na Rússia, foi alvo de buscas em Moscovo e um jornalista foi detido.
- O Ministério do Interior afirmou que as buscas decorrem no âmbito de um processo penal sobre a utilização ilegal de dados pessoais para criar conteúdo negativo sobre os russos.
- O colunista Oleg Roldugin, autor de uma investigação sobre o círculo do líder checheno Ramzan Kadyrov, está a ser interrogado. A publicação recente abordou famílias que enriqueceram durante a guerra na Chechénia.
- A polícia também investiga se a Novaya Gazeta tem ligações a organizações consideradas indesejáveis na Rússia, entre elas a Novaya Gazeta Europe e o Comité Anti-Guerra da Rússia.
- A Novaya Gazeta tem mais de trinta anos, continua a operar na Rússia apesar da censura e, no passado, já enfrentou suspensões pelo regime, com vários jornalistas a deixar o país.
O jornal Novaya Gazeta viveu mais uma madrugada de pressão estatal em Moscovo, com buscas na redação e a detenção de um jornalista. O inquérito envolve alegada utilização ilegal de dados pessoais para artigos críticos sobre cidadãos russos.
Segundo o Ministério do Interior de Moscovo, as investigações são parte de um processo criminal. Os investigadores atuaram com agentes mascarados, e não permitiram a entrada de advogados no edifício durante as diligências.
O colunista Oleg Roldugin, conhecido pela investigação sobre o círculo do líder checheno Ramzan Kadyrov, foi detido e está a ser interrogado. A reportagem recente abordava famílias que enriqueceram durante a guerra na Chechénia.
Contexto
Fontes oficiais citadas pela agência TASS indicam que as autoridades também verificam se a Novaya Gazeta mantém ligações a organizações consideradas indesejáveis na Rússia, incluindo a Novaya Gazeta Europe e o Comité Anti-Guerra da Rússia.
A Novaya Gazeta, com mais de 30 anos de história, tem atuado na Rússia após o início da invasão na Ucrânia e sob censura estatal. Em março de 2022, o jornal indicou ter recebido orientação de leitores para manter a operação, mesmo diante da pressão oficial.
Algumas redações associadas ao grupo. Os jornalistas que partiram do país lançaram a Novaya Gazeta Europa, com uma identidade distinta da publicação russa, e esta última foi declarada indesejável no território russo.
A Novaya Gazeta é reconhecida internacionalmente por trabalhos de investigação e defesa dos direitos humanos. Entre os nomes ligados à redação, destacou-se a jornalista Anna Politkovskaya, assassinada em 2006, cuja obra denunciou abusos na Chechênia. A autoria do crime nunca foi elucidada.
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