- A Meta proibiu publicidade política no Facebook e no Instagram na UE em outubro de 2025, mas investigadores sustentam que o Fidesz contorna a regra através de intermediários e organizações supostamente ligadas ao partido.
- Um estudo do Observatório Húngaro dos Media Digitais aponta risco de que campanhas eleitorais e futuras sejam influenciadas por anúncios políticos ilícitos, incluindo conteúdos gerados por IA.
- Entre janeiro e fevereiro, foram identificados 457 anúncios políticos em plataformas da Meta vindos de atores húngaros, com 456 ligados ao Fidesz; apenas um esteve associado à Coligação Democrática.
- O analista Balázs Németh, do Fidesz, foi o anunciante mais ativo, tendo publicado 81 anúncios desde janeiro, seguidos pelo grupo parlamentar do partido; muitos conteúdos visavam promover programas pró-Orbán.
- Especialistas dizem que a Meta remove anúncios de forma retroativa, com verificação em duas fases, mas muitos conteúdos continuam a escapar aos filtros, dificultando o rastreio e fiscalização.
O Fidesz, partido no poder na Hungria liderado por Viktor Orbán, continua a contornar a proibição de anúncios políticos imposta pela Meta, mesmo após o bloqueio de publicidade ao nível da União Europeia. A falha na vigilância levou a que a campanha do partido permaneça ativa em plataformas como Facebook e Instagram, à viga de prova de especialistas em desinformação.
Segundo o Observatório Húngaro dos Media Digitais, há risco real de que campanhas eleitorais, incluindo conteúdos com deepfakes, sejam influenciadas por anúncios ilícitos com grande alcance. A proibição da Meta entrou em vigor em outubro de 2025 na UE, em alinhamento com o Regulamento sobre Transparência e Direcionamento da Publicidade Política (TTPA).
Anúncios e mecanismos de disseminação
A meta, proprietária do Facebook e do Instagram, exige identificação clara de anúncios políticos e regista esses conteúdos na Ad Library por pelo menos sete anos. Ainda assim, investigadores apontam que o Fidesz utiliza páginas oficiais e organizações de fachada associadas ao partido para disseminar mensagens políticas pagas.
Balázs Németh, candidato do Fidesz, emergiu como o anunciante mais ativo entre janeiro e setembro de 2025, com dezenas de vídeos de campanha. A segunda posição criou uma pressão adicional sobre o envio de mensagens pró-Orbán através de grupos parlamentares da própria formação.
Intervenções de grupos pró-governo
Entre as entidades envolvidas, o Movimento de Resistência Nacional aparece como um núcleo ativo, com ligações a organizações pró-governamentais que gastaram milhões em conteúdos no Facebook. Relatos indicam uso de conteúdos gerados por IA para apresentar mensagens políticas contra a oposição.
A investigação também detectou anúncios com temas não políticos aparentes, como negócios e finanças, que, na prática, transmitiam mensagens políticas. Entre janeiro e fevereiro, as análises associaram 457 anúncios a atores políticos húngaros, com a quase totalidade ligados ao Fidesz.
Perspetivas técnicas e resposta da Meta
Analistas afirmam que a Meta está a melhorar a remoção de anúncios após a detecção, mas muitos já foram disseminados antes da remoção. Perguntas sobre a eficácia dos filtros permanecem, dado o peso do Facebook no cenário húngaro.
A Meta informou que a política contra anúncios de conteúdos políticos vigora na UE, assegurando ações de remoção quando detectadas violações. A Comissão Europeia não respondeu a pedidos de comentário até ao momento da publicação.
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