- A Europa está a abandonar a ajuda tradicional e a procurar parcerias com África orientadas para os seus interesses, frente à concorrência de outras potências e a perturbações na região.
- A energia é um eixo-chave: África ganha relevância pela proximidade e rotas marítimas; a Itália anunciou cooperação com a Argélia para aumentar o gás, com mais de 30% das necessidades de gás natural da Itália já asseguradas pela Argélia, e a Nigéria continua a ser grande fornecedora de GNL para o Sul da Europa.
- A chefe da política externa da UE, Kaja Kallas, visitou a Nigéria e o Gana, assinando acordo de readmissão de migrantes com a Nigéria e a primeira Parceria de Segurança e Defesa UE-Gana contra terrorismo e para a segurança marítima no Golfo da Guiné.
- Em Bruxelas, o eurodeputado Younous Omarjee afirma que é necessário reconhecer interesses em África e que a cooperação energética pode alterar rapidamente fluxos de investimento e desenvolvimento económico.
- O relatório Africa Political Outlook indica o fim da era da ajuda externa; contudo, a UE mantém-se como principal parceira comercial de África, com o intercâmbio UE-África em 2024 a atingir 355 mil milhões de euros.
A Europa está a abandonar modelos de ajuda tradicionais e a apostar em parcerias com África orientadas para os seus interesses. A mudança surge num contexto de concorrência de grandes potências e de perturbações energéticas no Médio Oriente. A ideia é criar vínculos mais equilibrados, com benefícios para ambos os lados.
Líderes africanos veem novas oportunidades, com o Malawi e outros atores a defenderem diálogo constante e acordos que facilitem a integração económica do continente. Lazarus Chakwera afirma que o equilíbrio entre parcerias bilaterais e cooperação regional é essencial para o progresso partilhado.
A União Europeia tem vindo a redefinir a sua relação com África num momento de maior procura por fontes de energia. A intensificação da concorrência dos EUA, da China e da Rússia incentiva uma mudança de estratégia para evitar a irrelevância no continente.
Parcerias estratégicas na energia
Durante o fórum Africa Political Outlook, em Bruxelas, Younous Omarjee defende que a UE reconheça interesses em África. O eurodeputado francês ressalva que o desenvolvimento africano é também vital para a prosperidade europeia e aponta para a necessidade de facilitação de acordos e implementação ágil.
A Europa fortalece a cooperação energética com África para substituir fornecimentos interrompidos pela crise no Médio Oriente. A Argélia tem sido apontada como fornecedora crucial, com a Itália a anunciar maior cooperação para suprir parte das necessidades nacionais.
Acordos e visões regionais
Em março, Kaja Kallas visitou a Nigéria, Gana e outros estados da África Ocidental, assinando acordos de cooperação e um pacote de apoio de 288 milhões de euros. Em Nigéria foi assinado um acordo de readmissão em matéria de migração. Em Gana foi criada a primeira Parceria de Segurança e Defesa UE-Gana.
O papel da Nigéria como exportador de gás natural é destacado, assim como o peso do comércio UE–África, que em 2024 atingiu 355 mil milhões de euros. A UE permanece o principal parceiro comercial da região, seguida pela China.
Desafios para a implementação
Especialistas lembram que a expansão dos laços depende de infraestruturas adequadas e de segurança estável. Observadores apontam que golpes de Estado na região, associados a várias dinâmicas regionais, dificultam o fortalecimento institucional e a cooperação.
Analistas destacam ainda a necessidade de uma “ancoragem local” nos investimentos, para ir além do financiamento e promover produtos, serviços e intercâmbio cultural que beneficiem comunidades locais.
Perspetivas futuras
A renovação da parceria entre Europa e África terá de acomodar interesses recíprocos, com foco na segurança, energia e prosperidade económica. Embora a relação tenha por base a cooperação internacional, a tendência aponta para uma colaboração mais pragmática e menos dependente de ajuda externa tradicional.
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