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Ucrânia e Irão: lições para a defesa aérea europeia

Bruegel alerta que a defesa europeia precisa de investir em interceptação barata e ofensiva para enfrentar drones e mísseis, com o risco russo em foco

ARQUIVO - Um militar-aluno da Escola Yatagan de Sistemas Aéreos Não Tripulados lança um drone alvo de treino durante exercícios na região de Kiev, Ucrânia, 20 de março de 2026
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  • O centro Bruegel alerta para uma nova relação de custos entre defesa aérea e ataques: interceptores caros frente a drones e mísseis de baixo custo, o que muda a estratégia europeia.
  • Mesmo com dezenas de milhares de euros em drones, operações de defesa gastam milhões por disparo, tornando a defesa menos sustentável a longo prazo.
  • A Ucrânia serve de modelo: decisões difíceis sobre quando usar interceptores caros e quando deixar passar mísseis, diante da pressão sobre os arsenais europeus.
  • O Bruegel defende duas prioridades: investir em defesa aérea barata e desenvolver capacidades ofensivas de ataque para degradar a produção inimiga.
  • Em 2025, startups europeias de tecnologia de defesa captaram quase 1,8 mil milhões de dólares, com exemplos de intercetores de baixo custo a serem explorados por países do Golfo.

Ucrânia e Irão: lições para a defesa aérea europeia

Reservas de EUA e de Israel diante de drones iranianos esgotam-se, aponta Bruegel. O estudo alerta que a Europa enfrenta um desafio maior às suas portas, com mísseis interceptores caros a custar cerca de 4 milhões de dólares por disparo, enquanto drones Shahed valem apenas algumas dezenas de milhares de euros.

Segundo os consultores Guntram Wolff e Alexandr Burilkov, drones e mísseis iranianos tornaram‑se suficientemente baratos para uso em larga escala, reduzindo a vantagem de quem dispõe de defesas aéreas. O custo de produção e reposição é um fator crítico no equilíbrio estratégico.

Implicações para a Europa

O Bruegel sustenta que a principal ameaça europeia pode não ser o Irão, mas a Rússia, que possui uma força aérea robusta e uma rede de defesa integrada. Em caso de conflito, a região pode enfrentar uma ofensiva com grandes salvas de drones e mísseis sobre defesas já pressionadas.

A Ucrânia é apresentada como modelo de resposta para a Europa, com ataques russos a infraestruturas a forçar decisões críticas sobre utilização de interceptores. A pressão sobre arsenais europeus que fornecem defesa aérea à Ucrânia também é realista, segundo a análise.

Prioridades estratégicas para a defesa europeia

O relatório aponta duas vias prioritárias. A primeira passa por investir em tecnologia de interceção barata, com drones interceptores de baixo custo já desenvolvidos por empresas da Ucrânia. A ideia é reduzir a assimetria entre ataque e defesa com custos acessíveis.

A segunda lição é desenvolver capacidade ofensiva em profundidade. A partir de uma defesa mais barata, a Europa pode degradar a produção adversária, reduzindo o impacto de ataques futuros. A produção russa de drones e mísseis exige resposta integrada, diz o Bruegel.

Ação pública e inovação tecnológica

No início deste mês, o governo britânico reuniu empresas de defesa com embaixadores de países do Golfo para acelerar o fornecimento de tecnologia defensiva capaz de enfrentar drones e mísseis iranianos. Dados de 2025 indicam forte crescimento de startups europeias de defesa, com investimento superior a 1,8 mil milhões de dólares.

Startups como Frankenburg Technologies, da Estónia, e a ucraniano‑britânica Uforce trabalham no desenvolvimento de interceptores de drones e mísseis de baixo custo, sinalizando uma tendência de inovação com potencial de aplicação em vários cenários.

Convergência estratégica entre defesa e produção

A análise enfatiza que, para manter a capacidade de defesa, a Europa precisa reequacionar a despesa em armamento. Em vez de depender apenas de interceptores caros, é essencial multiplicar as munições de defesa aérea de custo baixo e simultaneamente avançar com capacidades ofensivas para degradar a produção inimiga.

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