- O governo alemão quer apoiar financeiramente a Síria, apesar dos protestos em Berlim contra o regime do presidente interino Ahmed al-Sharaa.
- O ministro dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, afirmou que “estão ao lado da Síria” e que este é o momento de criar oportunidades para o país.
- A ministra da Economia, Katherina Reiche, vê possibilidades de negócio na Síria, nomeadamente nos setores de energia, construção e engenharia, com cerca de quarenta empresas alemãs presentes num encontro germano-sírio.
- Defensores do diálogo destacam a reconstrução como prioridade europeia, com a Síria a ser considerada um potencial país de transferência de energia e ponto importante face ao Golfo e ao Estreito de Ormuz.
- Ações de apoio devem ser condicionadas, segundo críticas de organizações e especialistas, que defendem envolvimento de todos os grupos sociais e rápida democratização, enquanto a situação humanitária permanece grave: mais de nove milhões de sírios com fome aguda e infraestruturas amplamente destruídas.
O governo da Alemanha mantém um impulso de cooperação económica com a Síria, mesmo com protestos em Berlim sobre a presidência interina de Ahmed al-Sharaa. A posição foi apresentada durante encontros de alto nível entre representantes alemães e sírios, em Berlim, a 30 de março de 2026.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, afirmou publicamente que a Alemanha está ao lado da Síria e pretende contribuir para oportunidades de desenvolvimento económico, enfatizando o papel do país no contexto regional. O Governo alemão vê a reconstrução como um caminho para a estabilidade.
A ministra da Economia, Katherina Reiche, mencionou oportunidades nos setores da energia, construção e engenharia, salientando a construção de centrais elétricas como tema principal da cimeira. Estima-se que cerca de 40 empresas alemãs participaram no encontro.
Contexto e perspetivas
Al-Sharaa descreveu a situação síria como devastadora, apontando infraestruturas destruídas e atrasos na recuperação. Um marco citado é a ideia de a Síria ser um polo de oportunidades de investimento, incluindo infraestruturas e turismo, numa perspetiva de longo prazo.
Durante a visita, ocorreram diversas manifestações em Berlim, com críticos a opor-se à repressão de minorias na Síria. Observadores indicam que episódios recentes de violência contra comunidades locais geram questões sobre liberdades políticas.
Naseef Naeem, especialista em Médio Oriente, questionou se a repressão pode intensificar-se, enquanto destacava a importância europeia na reconstrução. O analista aponta que a Síria pode tornar-se alvo de transferências de energia, dada a situação regional no Golfo e no Estreito de Ormuz.
Sophie Bischoff, da Adopt a Revolution, apoiou o diálogo, mas pediu condições claras para o apoio, envolvendo todos os grupos sociopolíticos na Síria. Refere ainda a necessidade de democratização rápida e suspensão de deportações, devido ao país ainda se encontrar em ruínas.
A conferência contou com o primeiro-ministro Friedrich Merz e o presidente al-Sharaa, que defenderam o regresso de grande parte dos refugiados sírios que residem na Alemanha. Dados de dezembro de 2025 indicam que a maioria da população síria depende de ajuda humanitária, com milhões de pessoas a sofrer de fome e infraestrutura fortemente danificada.
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