- Tom Fletcher, responsável humanitário da ONU, disse à Euronews que a situação no Líbano pode tornar-se na próxima Gaza, com ataques israelitas a intensificarem-se e a crise a causar mais de 900 mortos e mais de um milhão de deslocados.
- Os ataques concentram-se no sul do Líbano e na periferia sul de Beirute, com o Hezbollah a responder a ações de Israel que incluem ofensivas terrestres.
- O Governo libanês já pediu negociações diretas com Israel, mas quer que os combates cessem antes de qualquer diálogo; Israel acusa o Líbano de não cumprir o cessar-fogo de novembro de 2024.
- A operação humanitária da ONU enfrenta maior periculosidade: convóios de ajuda voltaram a recuar e houve a morte de um capacete azul; o acesso a civis faz-se com muita dificuldade.
- O financiamento humanitário está a diminuir, com os Estados Unidos a anunciar 2 mil milhões de dólares para ajuda internacional; o bloqueio de vias marítimas aumenta custos e limita o transporte de bens.
O responsável humanitário da ONU afirmou à Euronews que a crise no Líbano se torna cada vez mais perigosa para a prestação de ajuda. A operação israelita, já com ofensiva terrestre, provocou mais de 900 mortos e mais de um milhão de deslocados.
Segundo Tom Fletcher, subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, há receios de que o Líbano possa seguir o caminho que aconteceu em Gaza, com a escalada do conflito a afetar civis e serviços básicos. A entrevista ocorreu no programa 12 Minutes with.
Os ataques concentram-se principalmente no sul do Líbano e na periferia sul de Beirute. Israel tem reiterado que a ofensiva visa o Hezbollah, em resposta a ataques contra o país. O território libanês permanece sob forte pressão militar.
Deslocamento forçado e danos a infraestruturas
As autoridades libanesas indicam que mais de 900 pessoas foram mortas e que cerca de 1,0 milhão de libaneses foram deslocados. As evacuações obrigatórias criam ocupação de grandes áreas, segundo organizações de proteção humanitária.
As Forças de Defesa de Israel afirmam visar alvos ligados ao Hezbollah e têm emitido avisos prévios de evacuação. Observa-se danosconsideráveis em infraestruturas civis, incluindo hospitais e clínicas, dificultando a resposta humanitária.
Perigos para a ajuda humanitária
Fletcher sublinhou que o trabalho da ONU no terreno se torna cada vez mais arriscado. Em operações de entrega de ajuda, houve recuos devido ao nível de perigo, com relatos de um repórter perdido recentemente e de capacetes azuis enfrentando situações críticas.
O Líbano pediu negociações diretas com Israel para pôr fim à escalada, um movimento visto como uma evolução pelo responsável da ONU. Contudo, o país deseja o fim imediato dos combates antes de avançar para negociações formais.
A nível internacional, continua o debate sobre o papel de mediadores e o impacto económico do conflito. A necessidade de apoio humanitário cresce, com destaca-se o constrangimento de rotas como o estreito de Ormuz, que afeta o fornecimento de bens e alimentos.
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