- Autoridades de segurança dizem que os serviços secretos iranianos tentam espiar dissidentes na Alemanha, com intimidações às suas famílias no Irão.
- Um caso envolve Hossein Yaghobi, exilado iraniano em Berlim, que recebeu um cartão de felicitações que era na prática de um agente iraniano; as famílias dele já foram presas e houve promessas de emprego no Irão caso colaborasse.
- As autoridades apontam que o Ministério dos Serviços Secretos (VAJA/MOIS) e outras estruturas, incluindo a Força Quds e o IRGC-IO, atuam na Alemanha para monitorizar a oposição e as manifestações.
- O contacto acontece muitas vezes por mensagens no WhatsApp, com tentativas de angariar apoios, pedir informações ou oferecer ajuda com a residência, e com ameaças caso se tornem públicos.
- Especialistas dizem que o regime iraniano está em luta pela sobrevivência e procura manter o controlo sobre os iranianos exilados, com avaliação constante de riscos e medidas de proteção na Alemanha.
Espiões entre nós: autoridades de segurança alertam para tentativas de espionagem e intimidação de dissidentes iranianos na Alemanha. Segundo o Gabinete Federal para a Proteção da Constituição, serviços secretos do Irão visam membros da oposição que vivem no estrangeiro, usando contactos online e pressão sobre familiares no Irão. O objetivo é controlar e silenciar vozes críticas ao regime.
Relatos de ativistas apontam para uma rede que opera em Berlim e noutras cidades alemãs, com ações desde há anos. Entre as táticas, há convocações ao Ministério da Informação iraniano e mensagens direccionadas, incluindo promessas falsas de benefícios para quem coopere. A pressão é descrita como extensa, atingindo familiares no Irão.
Hossein Yaghobi, engenheiro iraniano exilado na Alemanha, descreve várias tentativas de contacto ao longo de quatro décadas de residência. Em março, durante Nouruz, recebeu um cartão de felicitações visando extrair informações. Ao perceber a operação, Yaghobi reagiu, mantendo-se cauteloso face a potenciais represálias.
Espionagem e contactos online
O VAJA, o MOIS e, de forma associada, a Força Quds e IRGC-IO, são identificados pela proteção constitucional como atores ativos na Alemanha. O objetivo declarado é monitorizar manifestações de apoio à oposição e identificar figuras relevantes. Foi criado um centro de informação para coordenar a vigilância.
A atuação no terreno inclui tentativas de aproximação a exilados por via de mensagens online, sobretudo através de aplicações de mensagem. Em conversas analisadas, agentes iranianos abordam contactos com insinuações de ajuda para residência, seguido de ameaças caso alguém falasse publicamente. As mensagens mostram pedidos de dados pessoais e pressões para evitar revelações.
Os relatos indicam que muitos que desejam regressar ao Irão ou obter asilo podem ter de assinalar concordâncias em formulários oficiais. Além disso, há indícios de uso de apoiantes no estrangeiro e de proxies para ampliar o alcance da atuação no território alemão.
Contexto e desdobramentos
Especialistas estudam a rede de influência de Teerão fora do Irão, reconhecendo uma pressão contínua para manter o controlo sobre opositores e expatriados. O regime é caracterizado como em luta pela sobrevivência, com tentativas de desarticular a oposição através de ações diretas ou de terceiros.
A segurança na Alemanha tem sido objeto de avaliação constante por parte das autoridades de proteção, que monitorizam riscos e preparam respostas rápidas. Dados oficiais indicam que a comunidade iraniana com passaporte alemão enfrenta contextos desafiantes, com cresceção de pedidos de naturalização e complexidade de renúncias ao passaporte iraniano.
Para ativistas exilados, a denúncia de contactos não resulta necessariamente em proteção imediata, mantendo a esperança de avanços que promovam liberdade, democracia e direitos humanos no Irã.
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