- Viktor Orbán mobilizou apoiantes em Budapeste, apresentando as legislativas de 12 de abril como uma escolha entre paz e guerra e afirmando que o seu governo garante estabilidade.
- O premier criticou a União Europeia e a Ucrânia, alegando que ambos tentam afastá-lo do poder durante a campanha.
- A disputa envolve o oleoduto Druzhba, que transporta petróleo russo para a Hungria via Ucrânia, num contexto de tensão entre Budapeste e Kiev.
- Budapeste bloqueou, até agora, o pacote de empréstimos da União Europeia à Ucrânia no valor de 50 mil milhões de euros, até que o Druzhba volte a funcionar.
- Orbán repetiu a mensagem de ligação entre o apoio externo e o futuro do governo húngaro, dizendo que “os nossos filhos não vão morrer pela Ucrânia, vão viver pela Hungria” e desafiando Zelenskyy.
Viktor Orbán reuniu apoiantes no centro de Budapeste, num comício em vésperas do feriado que celebra a revolução de 1848. O primeiro-ministro descreveu as legislativas de 12 de abril como uma escolha entre paz e guerra, apresentando o seu governo como esteio de estabilidade. A multidão ouviu o apelo por continuidade.
O líder húngaro destacou que o país precisa de governança firme para preservar a segurança interna e económica. Em sinal de escalada, o discurso evocou a perspetiva de tensões com Bruxelas e com Kiev, sem excluir o papel da Hungria no equilíbrio regional.
Orbán voltou a responsabilizar a UE e a Ucrânia pela suposta interferência na campanha, afirmando que Kyiv estaria alinhada com a oposição para afastá-lo do poder. A tensão decorre de uma disputa em torno do oleoduto Druzhba, que atravessa a Ucrânia.
Disputa energética e posição externa
Budapeste sustenta a suspensão do empréstimo da UE à Ucrânia, de cerca de 50 mil milhões de euros, até que o Druzhba funcione a pleno. O impacto é visto como elemento central da pressão de Orbán sobre Bruxelas para mudanças políticas.
A tensão envolve ainda ataques retóricos entre Orbán e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, reforçando a polarização entre apoio europeu e interesses húngaros na gestão energética. O tema tem implicações para as negociações com a UE e para a imagem externa de Budapeste.
Objetivos da campanha e leitura do cenário
Durante o comício, Orbán apresentou a eleição como decisão entre manter a linha de governo ou ceder a pressões externas. O chefe do governo reiterou a meta de alcançar pelo menos 3 milhões de votos para o seu movimento, o Fidesz, em alinhamento com a reeleição.
Segundo sondagens, Péter Magyar, da oposição, surge como figura de concorrência ao Fidesz, enquanto a votação de 12 de abril é descrita como o desafio político mais significativo para o governo desde 2010. A campanha continua com foco na estabilidade nacional.
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