- O estreito de Hormuz, ponto crítico do comércio mundial de energia, está no centro de tensões após o ataque aos iranianos, com o Irão a declarar “controlo total” do canal de 39 km e a dizer que ataca navios que dele passem.
- O Presidente dos Estados Unidos prometeu enviar a Marinha para escoltar petroleiros através do estreito, o que pode colocar forças norte-americanas em confronto direto com o Irão.
- A Rússia surge como possível grande beneficiária, com analistas a sugerirem que Moscovo pode manter descontos no petróleo para aumentar a influência sobre a China.
- O canal continua a passagem de cerca de vinte por cento das exportações mundiais de petróleo e por cerca de trinta por cento do fornecimento global de gás natural liquefeito, com centenas de petroleiros parados e a QatarEnergy a declarar força maior para destinos como a China, a Coreia do Sul e a Índia.
- Embora a legalidade do encerramento do estreito seja contestável, o impacto económico potencial inclui subida de preços, maiores custos de transporte e, se as perturbações se prolongarem por semanas, possível redução da procura.
Na sequência de ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (GRI) declarou ter tomado o que descreveu como controlo total do estreito de Hormuz, avisando que atacaria qualquer navio que ali passasse. A resposta dos EUA foi a promessa de enviar a Marinha para escoltar petroleiros através do estreito. A tensão envolve uma das vias marítimas mais estratégicas do mundo.
Analistas apontam que a Rússia pode sair vencedora indiretamente deste choque geopolítico, ganhando influência sobre o mercado de energia, nomeadamente com a China no papel de compradora. A Europa, por outro lado, pode enfrentar maior dependência de gás russo, numa fase de redução gradual de importações.
Impactos no mercado
O estreito de Hormuz é a principal passagem para 20% do petróleo mundial e cerca de 30% do fornecimento global de GNL. Diariamente atravessam-no aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo, com efeitos já visíveis nos mercados da região e entre seguradoras e operadores de transporte.
Para importadores asiáticos, o impacto é sentido já. A QatarEnergy informou força maior a 4 de março, refletindo perturbações nas entregas para China, Coreia do Sul e Índia, segundo analistas. O cenário pode levar a ajustes em contratos e preços.
Questões legais e projeções
Encerrar o estreito violaria o direito internacional, que garante a livre navegação, mas a legalidade pode tornar-se irrelevante quando se testa a capacidade de perturbar o comércio. Especialistas destacam que o objetivo é manter elevados custos de transporte e prémios de seguro, independentemente da legalidade formal.
A capacidade do Irão para sustentar a ameaça depende da sua habilidade de lançar e manter ataques. Se as interrupções se prolongarem, pode haver disparo de preços, custos para consumidores e retração da procura. No curto prazo, as reservas globais permanecem estáveis, mas a duração é um fator decisivo.
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