- A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o impacto da guerra no Médio Oriente expõe dependência excessiva de gás e petróleo importados.
- A UE promoveu um debate sobre preços da energia com Fatih Birol, diretor da Agência Internacional de Energia.
- O debate ocorreu num contexto de subida do preço do petróleo superior a dez por cento e de aumentos acentuados no gás na União Europeia.
- Von der Leyen pediu para melhorar o funcionamento do mercado energético e investir em tecnologias limpas para segurança energética, acessibilidade e competitividade.
- Peritos destacaram que o abastecimento de gás na UE está estável, mas teme-se uma repetição da crise energética de 2022 caso haja escalada no Médio Oriente ou interrupções no Estreito de Ormuz.
A Comissão Europeia promoveu nesta sexta-feira um debate sobre os preços da energia, com a participação do diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol. A reunião reuniu o colégio de comissários numa altura em que a guerra entre EUA, Israel e Irão domina as atenções, e os preços da energia sobem no mercado.
A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, afirmou que o impacto da ofensiva no Médio Oriente expõe a dependência excessiva da UE em gás e petróleo importados. A frase foi publicada pela chefe do executivo europeu na rede social X.
Apesar de o sistema energético comunitário estar mais limpo, diversificado e estável do que no passado, os riscos associados à dependência de combustíveis fósseis continuam presentes, explicou von der Leyen. A responsável destacou a necessidade de acelerar a transição para energia mais limpa e produzida internamente.
A comissão sublinhou que a reunião, antecipada antes do início do conflito, ocorre num momento em que o petróleo regista aumentos superiores a 10% e o gás europeu enfrenta subida acentuada. A prioridade é manter a segurança energética e estabilizar os preços para consumidores e empresas.
A presidente reconheceu o papel dos investimentos em tecnologias limpas e na produção de energia interna como parte essencial da resiliência europeia. A meta é melhorar o funcionamento do mercado, ampliar a competitividade e reduzir a vulnerabilidade a choques externos.
Fatih Birol participou na sessão de orientação, cuja participação foi considerada valiosa para orientar as decisões da UE, segundo a presidente da Comissão. A reunião procurou alinhar estratégias da UE para enfrentar um possível agravamento das condições energéticas globais.
Peritos do Grupo de Coordenação do Gás da UE indicaram, ainda na quarta-feira, que o abastecimento de gás na UE permanece estável e sem impactos na segurança de fornecimento, mesmo com tensões no Médio Oriente. O grupo também avaliou medidas para evitar crises similares à de 2022.
Mesmo assim, persiste o temor de retrocessos energéticos se a instabilidade geopolítica se intensificar. A UE depende de importações de mercados globais, alguns ligados ao Médio Oriente, o que pode influenciar a oferta e os preços energéticos.
Um potencial agravamento, especialmente no Estreito de Ormuz, pode afetar a produção e o transporte de petróleo, provocando choques nos mercados internacionais. Além disso, a incerteza geopolítica tende a elevar os preços da energia, com efeitos indiretos na eletricidade, no transporte e na indústria.
A UE continua a monitorizar a evolução do cenário energético, mantendo contacto com parceiros internacionais e adotando medidas para assegurar o abastecimento estável e acessível, sem recorrer a conclusões ou posicionamentos políticos.
Entre na conversa da comunidade