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Irão intensifica desinformação durante conflito com os EUA

Irão intensifica a desinformação através de meios estatais e imagens manipuladas por IA, enquanto o acesso à internet permanece amplamente limitado

Equipa de salvamento e militares trabalham no local onde várias pessoas morreram num ataque com míssil iraniano em Beit Shemesh, Israel, domingo, 1 de março de 2026
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  • O Irão intensificou a desinformação nos meios de comunicação estatais desde os ataques dos EUA e de Israel a 28 de fevereiro, com 18 alegações falsas identificadas pela NewsGuard, face a cinco nas duas semanas anteriores.
  • As campanhas recorrem cada vez mais a imagens adulteradas com IA, muitas produzidas fora do Irão, para alegadas vitórias no campo de batalha ou ataques.
  • Um exemplo mostra uma imagem de satélite alegando destruição de um radar norte‑americano no Qatar, que era na verdade uma captura do Google Earth de fevereiro de 2025, manipulada com IA.
  • Vídeos alegando caças abatidos sobre Teerão circularam, mas a divulgação foi desmentida: o material mostrava, na prática, outra situação, como um F‑35 abatendo um Yak‑130 iraniano.
  • A internet é fortemente bloqueada no Irão, o que facilita a disseminação de desinformação por meios estatais; a NewsGuard também aponta que a Rússia tem explorado estas falsidades para sustentar narrativas contra Ucrânia.

O Irão intensificou campanhas de desinformação nos seus órgãos de comunicação estatais, segundo um relatório recente. Alegações de vitórias no campo de batalha foram partilhadas com imagens antigas ou manipuladas. A NewsGuard acompanhou 18 falsas afirmações desde o ataque EUA-Israel contra o Irão, em 28 de fevereiro.

Entre as peças falsas estão anúncios de destruição de alvos norte-americanos na região do Golfo, apresentados em veículos estatais iranianos. Em muitos casos, imagens de satélite ou de vídeos foram manipuladas com IA para parecerem verídicas.

A 1ª de março, analistas de verificação destacaram que várias afirmações difundidas são baseadas em conteúdos adulterados ou retirados de outras fontes, incluindo vídeos de videojogos. A desinformação foi reforçada por públicos próximos aos Guardas da Revolução Islâmica.

Desinformação e IA

O jornal Tehran Times publicou uma imagem de satélite presumivelmente de um ataque ao radar norte-americano em Al-Udeid, no Qatar. A peça foi posteriormente desmentida por Tal Hagin, que apontou a data do Google Earth como 2 de fevereiro de 2025 e a manipulação por IA.

Vários vídeos de ataques publicados em canais de Telegram próximos aos IRGC mostraram um caça abatido sobre Teerão. A Israel afirmou que as imagens mostravam um F-35 a derrubar um Yak-130 iraniano, e não o contrário, como alegado.

Contexto técnico e redes

A Mehr informou que quatro mísseis teriam atingido o porta-aviões USS Abraham Lincoln, mas o Comando Central dos EUA negou o ataque e afirmou que o Lincoln não foi atingido. Em paralelo, Tasnim citou 650 mortos ou feridos entre militares americanos, uma cifra desmentida pelo CENTCOM, que indicou seis óbitos.

Casos de desinformação utilizam também material retirado de videojogos, como Arma 3, conforme verificação do site Factnameh.

Repercussão digital e acesso à informação

Investigadores da Wired identificaram centenas de publicações enganosas na X, com imagens manipuladas por IA e relatos de ataques desproporcionados. Entre os exemplos estão montagens de mísseis sobre Dubai e imagens falsas do complexo de Khamenei.

A acessibilidade à internet no Irão é severamente limitada, o que facilita a difusão de conteúdos estatais. A Cloudflare descreveu, a 28 de fevereiro, uma quase total suspensão de tráfego, com quedas acima de 98% em relação à semana anterior.

Impacto e contexto

Com menos acesso a meios externos, muitos cidadãos dependem de mídia estatal e da Rede Nacional de Informação para se informar. A NewsGuard aponta que estas fontes continuam a veicular vitórias militares não verificadas e enganosas.

As autoridades iranianas e fontes associadas reiteram o uso de desinformação como ferramenta de comunicação. A NewsGuard também indica que a Rússia tem explorado estas falsidades para minar aliados da Ucrânia.

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