- O Bloco de Esquerda defende que Paulo Rangel não tem condições democráticas para continuar como ministro dos Negócios Estrangeiros.
- José Manuel Pureza acusa o ministro de ter ocultado informação ao país sobre a utilização da base das Lajes.
- O Expresso revelou que os EUA fizeram sete voos a partir das Lajes antes do acordo condicional do Governo, já com a guerra em curso.
- Pureza afirma que Rangel indicou que as aeronaves não seriam usadas para missões ofensivas, mas houve utilizações sem a autorização prevista em lei.
- O BE considera a situação inaceitável e defende que o ministro não pode manter o cargo neste momento da política externa de Portugal.
O Bloco de Esquerda (BE) afirma que Paulo Rangel não tem condições democráticas para continuar a ser ministro dos Negócios Estrangeiros. A posição foi expressa pelo coordenador nacional do BE, José Manuel Pureza, nesta sexta-feira, à saída de uma reunião com o presidente da Câmara Municipal de Leiria.
Pureza afirmou que o país ficou a conhecer, pela imprensa de referência, que houve ocultação de dados sobre a utilização da base das Lajes por aviões norte-americanos. Considerou gravíssima a ocultação de informação e pediu a análise das condições do ministro para continuar no cargo.
Ontem, o Expresso revelou que sete voos a partir das Lajes ocorreram antes do acordo condicional com o Governo, já em pleno curso de guerra. O BE sustenta que Paulo Rangel disse ter existido uma condição de utilização apenas para missões não ofensivas, o que, segundo o partido, não foi confirmado pela situação real.
Para Pureza, a atuação do Governo no caso das Lajes aproxima-se de um uso não autorizado do território nacional, sem conhecimento adequado do país. O dirigente considerou a situação inaceitável e explicou que, na leitura do BE, o ministro não tem condições democráticas para permanecer no cargo num momento tão sensível da política externa.
Questionado sobre a eventual demissão de Paulo Rangel, Pureza reiterou que o ministro não pode manter o cargo neste período de tensão na política externa portuguesa. O BE defende que a situação requer clarificação pública e responsabilidade político-democrática.
Contexto externo e consequências regionais
Entre 28 de fevereiro e hoje, EUA e Israel anunciaram um ataque militar ao Irão, conforme comunicado de autoridades internacionais. O ataque resultou em baixas e provocou resposta iraniana em várias frentes, incluindo ataques contra alvos em Israel e bases norte-americanas na região.
O Conselho de Liderança Iraniano assume a direção do país. O Irão encerrou o estreito de Ormuz e respondeu com ações em diversos territórios, incluindo Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Quatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Registaram-se incidentes com projéteis iranianos em Chipre e na Turquia, segundo fontes oficiais.Mais de mil mortos têm sido contabilizados desde o início do conflito, com maior parte entre a população iraniana.
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