- Kim Jong-un disse que a Coreia do Norte poderia “dar-se bem” com os Estados Unidos se Washington reconhecesse o estatuto nuclear norte-coreano, num discurso no congresso do Partido dos Trabalhadores.
- Reiterou que não há espaço para diálogo com a Coreia do Sul, afirmando que a Coreia do Sul é a entidade mais hostil e que não é compatriota.
- Alertou que, se a segurança norte-coreana for ameaçada, a Coreia do Sul pode ser destruída completamente.
- O congresso, em Pyongyang, incluiu desfile militar e contou com a presença de Kim Jong-un e da filha, Kim Ju Ae, estimada em cerca de 13 anos.
- Analistas veem a retórica como forma de afirmar um papel regional mais forte, com ligações a Moscovo e Pequim, mantendo portas abertas para os EUA apenas se este reconhecer o estatuto nuclear – não havendo, porém, perspetivas de desanuviamento imediato.
O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, afirmou durante o congresso do Partido dos Trabalhadores que o país poderia manter relações positivas com os Estados Unidos caso Washington reconhecesse o estatuto nuclear norte-coreano. Ao mesmo tempo, deixou claro que não há espaço para diálogo com a Coreia do Sul, qualificando-a como a principal adversária. O evento decorreu em Pyongyang, com o desfile militar a fechar o programa do congresso.
Kim Jong-un respondeu a perguntas sobre o futuro das relações com os Estados Unidos, dizendo que a cooperação seria possível se o estatuto nuclear norte-coreano fosse respeitado e se cessasse a política hostil. A KCNA destacou que o regime pode aceitar estratégias de coexistência ou de confronto, conforme a postura de Washington.
No discurso, o líder pediu reforços militares, incluindo mísseis balísticos de submarino e arsenais nucleares táticos, para a defesa do regime. A KCNA indicou ainda que Kim assistiu, ao lado da filha Kim Ju Ae, a um desfile em Pyongyang que encerrou o congresso, realizado pela primeira vez desde 2016.
Relações com os EUA
Especialistas apontam que o discurso busca afirmar influência regional mediante o arsenal nuclear e laços com Moscovo e Pequim, sem indicar um caminho claro para desanuviar a tensão com Seul. A imprensa estatal ressaltou o foco em capacidades estratégicas como elemento de dissuasão.
Contexto internacional
Observadores analisam que, embora não haja indicação de um aumento imediato de confrontos, a retórica reforçada segue a linha de afirmação do poder nuclear norte-coreano. Há ainda espaço para que eventuais contatos com Washington evoluam conforme atitudes de ambos os lados.
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