- O Fundo Monetário Internacional alerta que políticas industriais podem gerar benefícios económicos mais baixos do que políticas estruturais, devendo ser tratadas com cuidado.
- O estudo, apresentado em Lisboa, recomenda que as políticas industriais sejam usadas apenas onde os países já são competitivos, para evitar ganhos incertos.
- Sublinha a necessidade de boa governação, capacidade de implementação e evitar a captura por interesses privados ou políticos.
- Defende reformas estruturais para criar um ambiente de negócios competitivo, com boa governação, baixos custos de entrada, crédito eficaz e mão-de-obra qualificada, antes de depender de políticas industriais.
- Sugere escolher instrumentos de apoio com cuidado, favorecer políticas orientadas ao mercado externo, avaliar custos orçamentais e promover cooperação internacional para mitigar custos e tensões comerciais.
O FMI alerta para que políticas industriais devam ser avaliadas com cautela. O estudo Industrial Policies: Handle with Care foi apresentado em Lisboa, na Católica Lisbon School of Business & Economics, e analisa cenários de implementação de políticas industriais.
Segundo o FMI, a retoma dessas políticas pode gerar ganhos económicos menores face a reformas estruturais que fortalecem a economia no seu conjunto. Os autores destacam riscos como capacidade estatal limitada e captura por interesses privados ou políticos.
O estudo, liderado pelo economista sénior Samuel Pienknagura, baseia-se em dados de múltiplos países e setores. Os resultados sugerem que a efetividade depende de governação, implementação competente e ambiente institucional estável.
De acordo com os docentes que comentaram o relatório, João César das Neves, Isabel Horta Correia e João Borges Assunção, as políticas industriais requerem avaliação de custos orçamentais e tensões geopolíticas associadas.
Seis princípios para políticas industriais
As conclusões apontam seis princípios para orientar a aplicação de PI, especialmente em contextos de crescimento moderado. Primeiro, direcionar para produtos onde já existe competitividade.
Em seguida, assegurar governação sólida e capacidade de implementação para evitar captura por interesses com baixo potencial de crescimento.
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