- O documentário Traces apresenta seis mulheres ucranianas que relatam violência durante o cativeiro russo, transformando a dor em força e comunidade.
- A obra estreou mundialmente na Berlinale, integrada no programa Panorama, com foco em crimes de guerra, dignidade e justiça para as sobreviventes.
- A realizadora Alisa Kovalenko, também sobrevivente de cativeiro, acompanha as entrevistas, optando por gravar alguns relatos apenas em áudio para preservar a confiança das entrevistadas.
- O filme e a campanha associada, promovida pela associação SEMA Ucrânia, visam chamar a atenção para o destino de mulheres presas e maltratadas e exigir consequências políticas e jurídicas.
- A iniciativa também denuncia o uso da violência sexual como arma de guerra pela Rússia, com apoio de instituições como a embaixada ucraniana em Berlim e a ONU, e busca obter reconhecimento e justiça internacional.
O documentário Traces estreou na Berlinale e reúne seis mulheres ucranianas que partilham as experiências vividas em cativeiro sob ocupação russa. O objetivo é transformar dor em força coletiva e exigir consequências políticas e jurídicas.
As protagonistas são Iryna e outras sete mulheres envolvidas em processos de violência durante o conflito. A obra conta com a participação da realizadora Alisa Kovalenko, sobrevivente do conflito, e de Marysia Nikitiuk. A campanha associada envolve a associação SEMA Ucrânia e a embaixada ucraniana em Berlim.
A estreia mundial ocorreu durante o programa Panorama da Berlinale, com presença de representantes da sociedade civil, da ONU e do embaixador ucraniano Oleksii Makeiev. O foco é colocar o tema da violência como arma de guerra no centro da discussão pública.
Campanha e apoio institucional
No filme, as mulheres falam sobre violência, tortura e abuso sexual sem mostrar cenas explícitas. A narrativa recorre a descrições e memórias para preservar a dignidade das protagonistas. A diretora optou por registar entrevistas em áudio para criar maior confiança.
A iniciativa sublinha o impacto duradouro das experiências vividas e a importância da comunidade para a recuperação. O objetivo é mobilizar apoio financeiro e psicológico para quem foi afetado e pressionar por responsabilização.
Contexto internacional
Segundo o último relatório da ONU, houve casos de violência sexual relacionada com conflitos em zonas sob ocupação na Ucrânia, envolvendo civis e prisioneiros. A campanha exige reconhecimento público da violência como crime de guerra e o devido processamento dos responsáveis.
Além disso, o lado ucraniano já iniciou vários processos centrados na violência de género durante o conflito. A embaixada ucraniana em Berlim vê o filme e a campanha como instrumentos de resistência, justiça e defesa dos valores europeus.
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