- O Congresso peruano aprovou uma moção de censura que destituiu o Presidente José Jeri, com 75 votos a favor, 24 contra e três abstenções, em um processo rápido.
- Jeri, de 39 anos, ficou no cargo interino apenas quatro meses, após Dina Boluarte ter sido afastada em moção de censura; o motivo principal foi o escândalo conhecido como “Chifagate”.
- Alegações apontam para reuniões fora de agenda com empresários chineses em restaurantes, incluindo Yang Zhihua e Ji Wu Xiaodong, com suspeitas de tráfico de influências e contratos ligados ao projeto de energia.
- As reuniões teriam sido gravadas em câmaras de segurança e estão a ser investigadas pelo Ministério Público; o próprio Jeri negou renunciar, explicando que tal decisão implicaria reconhecer irregularidades.
- Em oito semanas são realizadas eleições e o Congresso escolhe, na quarta-feira, o novo presidente do órgão, que assumirá a presidência do país; analistas dizem que a instabilidade persiste no Peru.
O Congresso peruano aprovou uma moção de censura que destituiu o Presidente José Jeri, após meses no cargo. O processo, acelerado, decorreu com apoio de várias forças políticas num Parlamento fragmentado, com 75 votos a favor, 24 contra e 3 abstenções.
Jeri, de 39 anos, ocupava a posição de Presidente interino desde há quatro meses, sucedendo Dina Boluarte. A demissão ocorreu em contexto de investigações sobre tráfico de influências, alimentadas por reuniões nocturnas com empresários chineses.
As reuniões foram realizadas em restaurantes de chifa, com participação de Yang Zhihua, empresário ligado a projectos de energia, e Ji Wu Xiaodong, acusado de ligações a redes de comércio ilegal de madeira. As imagens de segurança alimentaram as suspeitas.
O Ministério Público investiga as reuniões como parte do chamado Chifagate. Jeri negou irregularidades, recusando demitir-se, enquanto alguns grupos conservadores o apoiaram; depois, porém, passaram a exigir a sua saída.
Protestos na terça-feira clamaram pela demissão de Jeri. Deputados defenderam a necessidade de uma transição com interesse público e segurança, sem tráfico de influências ou reuniões encapuzadas, segundo declarações à Reuters.
Eleições estão marcadas para 12 de abril, com os deputados a escolherem o novo presidente do Congresso, que assumirá automaticamente a liderança do país. O processo enquadra-se na continuidade de uma crise política com sete presidentes na última década.
O atual líder do Congresso, Fernando Rospigliosi, não apoia a sucessão de Jeri até as eleições. O país enfrenta uma fase de instabilidade enquanto o eleitorado permanece dividido entre candidatos incertos.
Este episódio ocorre num momento de tensão diplomática regional, com o embaixador dos EUA no Peru a criticar o que aponta como influência chinesa barata, em meio a disputas com Pequim sobre investimentos e soberania.
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