- O ex-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, general Valerii Zaluzhnyi, atual embaixador no Reino Unido, acusa o presidente Zelensky de responsabilidade pelo insucesso da contraofensiva de 2023.
- Revela tensões com Zelensky desde a invasão russa em fevereiro de 2022, com discussões frequentes sobre a defesa do país.
- Em 2022, dezenas de agentes do Serviço de Segurança ucraniano invadiram o gabinete de Zaluzhnyi; mais tarde, o escritório do Chefe do Estado Maior também foi alvo de revistas, segundo o general.
- Alega que a contraofensiva de 2023 falhou porque Zelensky e outros oficiais não se comprometeram com os recursos necessários, mantendo o plano elaborado com apoio da NATO.
- A avaliação é corroborada por dois oficiais de defesa ocidentais sob anonimato; há uma sondagem que coloca Zaluzhnyi em 23% de apoio versus 20% de Zelensky.
Valerii Zaluzhnyi, antigo chefe das Forças Armadas da Ucrânia, mantém silêncio quanto à sua possível candidatura à presidência, apesar de ser apontado como principal rival político de Volodymyr Zelensky. Em entrevista à AP, o embaixador ucraniano no Reino Unido, aos 52 anos, descreve a relação com o Presidente como tensa desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022.
O general relatou que as divergências sobre a defesa do país surgiram logo após o começo da guerra. Em 2022, dezenas de agentes do serviço de informações interno da Ucrânia invadiram o seu gabinete, num momento de intimidação que Zaluzhnyi descreveu como inicial.
Na sequência, o SBU negou que tenha ocorrido busca no escritório do chefe do Estado-Maior, aclarando que as revistas ocorreram em várias residências ligadas a uma investigação de crime organizado, sem relação com Zaluzhnyi.
Divergências táticas e a contraofensiva de 2023
Zaluzhnyi afirma que o plano de contraofensiva de 2023, desenvolvido com parceiros da NATO, falhou por falta de compromisso de Zelensky e de outros oficiais com os recursos necessários. O objetivo era concentrar forças para retomar Zaporíjia, onde fica a central nuclear, seguido de avanço para sul em direção ao Mar de Azov.
Segundo o ex-comandante, a operação foi dispersa por uma área ampla, o que diluiu o poder de ataque. A leitura dos acontecimentos foi corroborada por dois oficiais de defesa ocidentais, que falaram anonimamente à AP.
O general também criticou a organização e o recrutamento de tropas, bem como a integração de tecnologias no campo de batalha. Diz ter avisado o chefe de gabinete de Zelensky, por telefone, de que estava pronto para acionar as forças para defender o centro de comando de Kiev.
As duas reuniões entre Zaluzhnyi e Zelensky seriam descritas pelo ex-chefe militar como amistosas, com ele a evitar discussões sobre política para não dividir a população. A AP verificou a narrativa do ex-comandante, sem registro de posição oficial de Kiev.
Ipsos mostrou, na altura, que Zaluzhnyi era visto como o principal oponente de Zelensky em caso de eleição futura, com 23% de apoio contra 20% do Presidente. A sondagem, contudo, não reflete intenções de voto reais.
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