- O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pediu à Europa que se una aos EUA para “salvar o Ocidente” como civilização comum, num tom mais contido que no passado.
- O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, afirmou que a Europa não está suficientemente presente nas conversações de paz e apelou a um processo para que a Ucrânia fique tecnicamente pronta para ingressar no bloco em 2027.
- O chanceler alemão, Friedrich Merz, declarou que a ordem mundial existente já não existe, destacando o fim das regras da era pós Segunda Guerra Mundial e a necessidade de firmeza europeia.
- O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que França e Alemanha devem alinhar a doutrina de dissuasão nuclear, defendendo um diálogo estratégico para uma defesa europeia mais autônoma.
- A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu a ativação da cláusula de defesa mútua europeia (Artigo 42.º, n.º 7) e pediu decisões mais rápidas na defesa, com maior cooperação com parceiros terceiros.
A Conferência de Segurança de Munique reuniu delegações norte-americanas, ucranianas e europeias para discutir as relações transatlânticas. O evento decorreu ao longo de três dias, com foco na perceção de threat e nos caminhos da cooperação entre o Ocidente.
Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, pediu aos europeus que contribuam para salvar o Ocidente como civilização comum, associando o destino de Washington ao da Europa. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou estar mais tranquila sobre a relação com os EUA após o discurso.
Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia, rejeitou a ideia de uma Europa que precisa de ser salva, defendendo a autonomia europeia na segurança. Volodymyr Zelenskyy apelou aos europeus para avançarem com a adesão da Ucrânia ao bloco em 2027, quando tecnicamente preparada.
Perspetivas sobre a paz e a ordem mundial
Zelenskyy criticou a ausência de participação europeia nas negociações de paz com a Rússia, destacando a importância de uma voz europeia na mediação. Oscilam entre a cooperação com os EUA e a responsabilidade europeia pela paz regional.
Friedrich Merz, chanceler alemão, afirmou que a ordem internacional baseada em regras está a mudar, sinalizando uma era de maior poder das grandes potências e de maior volatilidade nas regras. O líder do parlamento europeu alertou para a necessidade de firmeza europeia.
Em França, Macron destacou o debate com a Alemanha sobre uma doutrina nuclear europeia, procurando alinhamento entre Paris e Berlim para uma defesa mais independente. A discussão inclui a revisão da dissuasão nuclear europeia.
Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol, advertiu que a dissuasão nuclear é cara e arriscada, defendendo cautela na retórica de defesa nuclear europeia. A posição espanhola contrapõe-se a flexibilizar garantias de segurança.
Mette Frederiksen, primeira-ministra dinamarquesa, esclareceu que não há mudanças na posição da Gronelândia, mas indicou passos conjugados entre EUA, Dinamarca e a ilha para reforçar a presença militar sem comprometer a integridade territorial. A Gronelândia mantém-se aberta a cooperação dentro da NATO.
Von der Leyen defendeu a ativação da cláusula de defesa mútua da UE, sublinhando a obrigação prevista no Tratado para responder a ataques. Acrescentou a necessidade de decisão mais célere na UE e de parcerias estratégicas com terceiros, incluindo o Reino Unido.
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