- Autoridades etíopes recusaram renovar as acreditações de três correspondentes da Reuters, durante a 39.ª cimeira da União Africana, marcada para 14 e 15 de fevereiro.
- A Reuters não revelou as razões da decisão, considerada pelos Repórteres Sem Fronteiras (RSF) como um sinal preocupante para a liberdade de imprensa no país.
- A decisão surge dias depois de uma investigação da Reuters alegar que a Etiópia acolhe no seu território uma base de treino das Forças de Apoio Rápido (RSF), uma milícia que combate o exército regular no Sudão desde 15 de abril de 2023.
- A Autoridade Etíope dos Media não forneceu informações sobre o caso, e autoridades em Adis Abeba não responderam a questionamentos da AFP.
- O RSF reporta ainda que, no total, cinco jornalistas estão detidos no país; em dezembro, jornalistas da Deutsche Welle foram suspensos e as acreditações da BBC não foram renovadas.
A Reuters informou que as autoridades da Etiópia não renovaram as accreditation de três correspondentes sediados em Adis Abeba. A decisão ocorreu antes da 39.ª Cimeira da União Africana, marcada para 14 e 15 de fevereiro, segundo a agência.
As autoridades etíopes não esclareceram as razões para a decisão. A Reuters afirmou que a medida decorre sem aviso e que a cobertura independente do país continuará, apesar da recusa de acreditação.
A decisão foi recebida como um sinal preocupante para a liberdade de imprensa pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que vincula o caso a uma investigação sobre uma base de treino de uma milícia no território etíope.
Segundo a RSF, há várias detenções de jornalistas no país nos últimos meses. O relatório coloca a Etiópia no 145.º lugar entre 180 países no índice de liberdade de imprensa.
Em dezembro, jornalistas da Deutsche Welle foram suspensos de forma permanente e os correspondentes da BBC não tiveram as suas acreditações renovadas, de acordo com a RSF.
A Etiópia, país de cerca de 130 milhões de habitantes, é liderada pelo primeiro-ministro Abiy Ahmed desde 2018 e prevê eleições legislativas em 1 de junho deste ano.
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