- Bruno Retailleau, presidente dos Républicanos, anunciou no YouTube a candidatura às presidenciais de 2027, prometendo realizar referendos sobre imigração e outras reformas.
- Compromete‑se a reduzir drasticamente a imigração e a usar referendos para aprovar novas leis, incluindo a reforma do sistema penal e a defesa do primado da lei nacional.
- Afirma ser “presidente da ordem pública, da justiça e do orgulho francês”, defendendo uma política familiar audaciosa e uma reforma da educação para combater desigualdades.
- Tem 65 anos, regressa à vida pública após deixar o governo em outubro de 2025, tendo sido ministro do Interior entre 2024 e 2025.
- O anúncio ocorre semanas antes das autárquicas de março de 2026; a Constituição francesa proíbe referendos sobre imigração ou justiça, o que pode influenciar a viabilidade das propostas.
Bruno Retailleau anunciou ontem, em direto no YouTube, a sua candidatura à presidência de França em 2027, pelo partido Les Républicains (LR). Promete organizar referendos sobre imigração e outras reformas, caso seja eleito. O antigo ministro do Interior afirma querer pôr ordem no país.
No discurso, Retailleau apresentou-se como defensor da ordem pública, da justiça e do orgulho francês. Afirmou que não atua movido pelo poder, mas pelo dever público, e que é necessário enfrentar a desordem mundial protegendo os interesses nacionais.
A campanha de Retailleau surge pouco antes das próximas autárquicas de março de 2026. O líder do LR tem mantido baixo o perfil desde a sua demissão, em outubro de 2025, mas agora retorna ao centro do debate público com propostas detalhadas.
O político voltou à ribalta após entrevistas ao Figaro e ao telejornal da TF1, onde expôs o conjunto de propostas. Uma sondagem recente indica que Retailleau aparece como o candidato mais popular entre os apoiantes do seu campo.
Entre as medidas, o candidato defende referendos para aprovar leis, começando por reduzir drasticamente a imigração. Outros referendos visam reformar o sistema penal e reafirmar a lei nacional para proteger interesses estratégicos.
Apesar da promessa de referendos, a Constituição francesa proíbe votações sobre imigração e justiça. Mesmo assim, Retailleau compromete-se a apresentar uma política familiar ambiciosa e a reformar a educação para reduzir desigualdades.
Retailleau tornou-se senador em novembro de 2025, após a saída do governo. Aos 65 anos, destacou-se como ministro do Interior entre 2024 e 2025, sob três governos, marcando uma atuação firme em matéria migratória.
Durante esse mandato, a posição frente à imigração gerou tensões com a Argélia, ainda que a política externa não esteja sob a sua alçada. O episódio centrado na recusa de devolver cidadãos ao arquipélago provocou críticas internacionais.
Quem mais poderá entrar na corrida presidencial? Entre nomes já anunciados, edições de autarquia e análise de cenários apontam para Édouard Philippe, ex-primeiro-ministro, a muralha da direita com Gabriel Attal, Dominique de Villepin, Michel Barnier, Xavier Bertrand, Gérald Darmanin, David Lisnard e Laurent Wauquiez.
No campo da extrema-direita, Marine Le Pen encontra-se sob análise por decisão judicial prevista para julho, que pode inviabilizar a candidatura. Jordan Bardella surge como possível substituto, caso surja a inelegibilidade.
Éric Zemmour, de Reconquête, também é apontado como candidato potencial, com resultados eleitorais pré-2022 próximos de 7%. À esquerda, a panorama está dividido: a secretária-geral dos verdes confirmou a candidatura, Marine Tondelier, com outras possibilidades de primárias.
Jean-Luc Mélenchon, da LFI, mantém-se como figura aguardada no leque de candidatos à esquerda, que continua fragmentado e em expectativa de alinhamentos até às eleições de 2027. A situação promete ser competitiva e bastante disputada.
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