- Dmitry Medvedev afirmou “o inverno vem aí” após o fim do Tratado Novo START, acordo que limitava arsenais nucleares entre Rússia e EUA.
- Medvedev destacou que, pela primeira vez desde 1972, não há um tratado que limite as forças nucleares estratégicas entre as duas potências.
- O Kremlin alertou que o mundo ficará mais perigoso sem o acordo, com o porta-voz Dmitri Peskov a dizer que a assinatura de um novo tratado será um processo longo e difícil.
- O Novo START, assinado em 2010, restringia a cada lado a sete centenas de lançadores e bombardeiros pesados e a 1.550 ogivas estratégicas destacadas; as inspeções estavam suspensas desde 2023.
- A ONU, através do secretário-geral António Guterres, considerou o expirar do tratado um momento grave para a paz e segurança internacionais, pedindo negociações entre as potências.
Dmitry Medvedev, antigo presidente russo e atual vice-presidente do Conselho de Segurança, disse que o inverno vem aí após o término do Tratado Novo START, o acordo de desarmamento nuclear com os EUA. A frase retoma a expressão associada à série Game of Thrones, usada para indicar tempos difíceis à vista. A publicação foi partilhada por Medvedev na X.
O Kremlin confirmou o fim do acordo e advertiu que o mundo pode tornar‑se mais perigoso sem uma ferramenta de controlo aos arsenais nucleares dos dois países, detentores dos maiores arsenais. O porta-voz Dmitri Peskov sublinhou a ausência de um instrumento limítrofe e verificável.
Entretanto, o líder russo Vladimir Putin já tinha proposto, em setembro de 2025, a extensão de um ano dos termos do entendimento, ideia que recebeu sinal verde inicial dos EUA, mas sem resposta definitiva. Inspeções já estavam suspensas desde 2023, devido à invasão da Ucrânia.
Sobre o Tratado Novo START
O Novo START, assinado em 2010, limitava a 800 lançadores e bombardeiros pesados por país e 1.550 ogivas estratégicas destacadas, com mecanismo de verificação. O término em pleno sinaliza uma transição para uma ordem nuclear menos regulamentada, ainda sem acordo paralelo.
A expiração ocorre após décadas de controles entre Washington e Moscovo, com os EUA também a retirar-se, em 2019, de um tratado de desarmamento de médio alcance. O objetivo de verificação e redução de armas, no entanto, fica sem um quadro formal.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou o fim do acordo um momento grave para a paz e a segurança internacionais, apelando a negociações entre as potências para evitar agravamento das tensões.
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