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Supremo do Panamá retira concessão portuária a grupo de Hong Kong

Supremo do Panamá declara inconstitucional a concessão a subsidiária de Hong Kong para os portos do Canal, após auditoria apontar perdas de 1,2 mil milhões de dólares

Decisão judicial pode abrir caminho para os Estados Unidos, concorrentes da China
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  • O Supremo Tribunal do Panamá declarou inconstitucional a concessão a uma subsidiária de Hong Kong para operar portos no Canal do Panamá, num revés para a China e a favor dos interesses estratégicos dos EUA.
  • A decisão segue uma auditoria que apontou irregularidades na extensão da concessão por mais vinte e cinco anos, concedida em 2021 à Panama Ports Company, responsável pelos terminais desde 1997.
  • O relatório aponta pagamentos em falta, erros contabilísticos e a existência de uma alegada “concessão fantasma” em funcionamento dentro dos portos desde 2015, enquanto a empresa nega as acusações.
  • Segundo a auditoria, as irregularidades teriam provocado perdas de cerca de 300 milhões de dólares desde a renovação e um total estimado de 1,2 mil milhões de dólares ao longo do contrato original; a renovação terá sido feita sem o aval obrigatório do auditor.
  • A decisão judicial não indica, por enquanto, o destino das operações afetadas; o caso ganha relevância geopolítica, com aprovação nos EUA de conter a influência chinesa no canal, e debates sobre segurança nacional para Washington.
  • Paralelamente, a CK Hutchison tinha anunciado, no ano passado, a venda da maioria dos portos panamianos a um consórcio com a BlackRock, mas o acordo foi travado pela oposição do Governo chinês.

O Supremo Tribunal do Panamá declarou inconstitucional a concessão atribuída a uma subsidiária de Hong Kong para operar portos no Canal do Panamá. A decisão segue uma auditoria que identificou irregularidades na extensão da concessão por mais 25 anos, renovada em 2021 à Panama Ports Company, operadora dos terminais desde 1997.

O auditor-geral Anel Flores apontou pagamentos em falta, erros contabilísticos e uma alegada “concessão fantasma” em funcionamento dentro dos portos desde 2015. A Panama Ports Company rejeita as acusações.

Segundo o relatório, as irregularidades teriam causado perdas de aproximadamente 300 milhões de dólares desde a renovação, com uma estimativa de 1,2 mil milhões de dólares ao longo do contrato original. A renovação ocorreu sem o aval obrigatório do auditor.

A decisão não define, por ora, o destino das operações portuárias afetadas.

Contexto geopolítico

A decisão ocorre em meio a tensões entre Estados Unidos e China sobre a influência no Canal do Panamá, uma importância estratégica para Washington. A administração norte-americana destacou a importância do controlo do canal para a segurança nacional.

O governo panamiano e a Autoridade do Canal garantiram que a China não interfere na operação. No entanto, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, tem reiterado a relevância do tema para a segurança regional.

Paralelamente, a CK Hutchison anunciou, no ano passado, a venda da participação majoritária nos portos panamianos a um consórcio que inclui a BlackRock Inc. norte-americana, mas o negócio prossegue bloqueado pela oposição do Governo chinês.

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